Justiça suspende intervenção do PT em João Pessoa e diz que ato de Gleisi foi 'ilegal e abusivo'

JOSÉ MARQUES
·2 minuto de leitura
*ARQUIVO* BRASILIA, DF,  BRASIL,  19-11-2019 - A presidente nacional do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR). (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
*ARQUIVO* BRASILIA, DF, BRASIL, 19-11-2019 - A presidente nacional do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR). (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um juiz eleitoral suspendeu nesta terça-feira (20) a intervenção do PT nacional sobre o diretório de João Pessoa, sob o argumento de que o ato da presidente do partido, Gleisi Hoffmann, foi "ilegal e abusivo".

Na capital paraibana, o PT municipal lançou o deputado estadual Anisio Maia como candidato próprio, mas a direção nacional do partido decidiu apoiar a candidatura do ex-governador Ricardo Coutinho (PSB) –inclusive enviou R$ 60 mil à campanha do PSB.

Por isso, o partido decidiu intervir até o fim do ano no diretório paraibano, apesar de a candidatura de Anisio já ter sido julgada como regular em primeira instância.

O diretório municipal recorreu à Justiça Eleitoral e obteve decisão liminar (provisória) do juiz Fábio Leandro de Alencar Cunha, da 64ª Zona Eleitoral. Ele determinou a reativação do diretório municipal do PT de João Pessoa até o término das eleições municipais.

Segundo ele, a destituição foi um "procedimento interno questionável e se fundamentando apenas na intenção do diretório nacional de impor sua vontade, atropelando a decisão legal da convenção municipal e, o mais grave, designando uma comissão interventora que tenta a todo custo desconstituir a chapa majoritária deferida pela Justiça Eleitoral".

Procurado, o PT nacional informou que irá recorrer da decisão. Em nota assinada por Gleisi e pelo secretário-geral, deputado Paulo Teixeira (SP), o partido classifica a decisão de "intervenção indevida do Judiciário da Paraíba em decisões internas tomadas democraticamente pela direção nacional do partido".

"A intervenção no Diretório Municipal de João Pessoa foi decidida por ampla maioria, com base nos estatutos e resoluções anteriores do PT sobre o lançamento de candidaturas nas eleições municipais."

Também diz que Anisio "rompeu com a democracia partidária" e que sua candidatura significa uma "armação do governo da Paraíba e da direita para prejudicar Coutinho".