Justiça arquiva processo movido por bebê da capa de CD do Nirvana

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Justiça dos Estados Unidos arquivou novamente o processo que era movido por Spencer Elden, conhecido por estampar a capa do disco "Nevermind", lançado no início dos anos 1990 pelo Nirvana. O jovem alegava que sua imagem nu no álbum era pornografia infantil.

Segundo a Reuters, o juiz Fernando Olguin, de Los Angeles, afirmou na decisão desta sexta-feira (2) que Elden demorou demais para iniciar a ação, que tinha como réus os membros do Nivana, Dave Grohl e Krist Novoselic, além de a atriz Courtney Love, viúva de Kurt Cobain.

Também eram citados como réus no processo várias gravadoras e o fotógrafo Kirk Weddle, que fez, em 1991, a foto de Elden aos quatro meses, nadando nu em uma piscina, aparentemente tentando alcançar uma nota de dólar presa em um anzol.

Elden chegou a ser entrevistado em 2003, aos 12 anos, pela revista Rolling Stone sobre a foto, dizendo que "provavelmente ganharia algum dinheiro com isso", e recriou a imagem da capa, já adulto, em 2016, com "Nevermind" tatuado no peito.

Apesar disso, ele iniciou uma ação contra os responsáveis pela capa em 2021, sob alegação de que nem ele nem seus pais haviam autorizado o uso de sua imagem, "e menos ainda para a exploração comercial de sua pessoa com imagens de pornografia infantil".

O juiz desconsiderou o caso, sem avaliar o mérito, em 3 de janeiro deste ano, pois Elden não respondeu a tempo os argumentos apresentados pelos advogados do Nirvana, mas permitiu que ele apresentasse uma nova denúncia, desconsiderada novamente agora.

Elden alegava na ação ter sofrido danos emocionais, perda de capacidade de ganho e "perda de prazer da vida". O juiz, porém, rejeitou esse argumento, dizendo que efetivamente permitiria que Elden processasse o Nirvana indefinidamente.

"Em suma, o demandante não alega que sabia de uma violação que ocorreu quando ele era menor de idade ou uma lesão que constitui a base da reclamação dentro de dez anos após a apresentação desta ação", escreveu Olguin.