Juliette estreia bem em EP, mas tropeça em versos horrendos

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Juliette na capa do seu primeiro EP: advogada não faz feio, apesar de tropeçar nas letras (Foto: Fernando Tomaz/Divulgação)
Juliette na capa do seu primeiro EP: advogada não faz feio, apesar de tropeçar nas letras (Foto: Fernando Tomaz/Divulgação)

Juliette Freire lançou o seu primeiro EP na noite desta quinta-feira (2). Intitulado com o seu próprio nome, "Juliette", o trabalho de estreia da ex-BBB, contraria as piores expectativas ao ser, na verdade, bastante satisfatório. Bem produzidas, as músicas inéditas da carreira devem soar agradáveis para a maior parte do público, mesmo contando com letras pouquíssimo inspiradas.

Com a produção de Rafinha RSQ (compositor de "Loka", de Simone e Simaria, "Apaixonadinha, de Marília Mendonça, "Faz o X", de Xand Avião, e Santinha", de Léo Santana) e os pitacos da amiga Anitta, a vencedora do Big Brother Brasil contou com o aparato de especialistas do pop brasileiro para ter uma boa estreia comercial. 

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No EP, Juliette é acompanhada de triângulo, zabumba e a sanfona em músicas feitas sob medida para as rádios. Se o instrumental é de bom gosto e garante a satisfação do ouvinte, os versos vão na direção oposta: são nada menos que rimas sem inspiração e jargões encontrados em legendas de influenciadores no Instagram.

Diante de um fã-clube nada exigente e disposto a defender tudo o que a paraibana faz, não se trata exatamente de um problema. Ao se limitar a frases de para-choque da internet, a advogada fala a língua dos cactos e, em retribuição, receberá todo o carinho do mundo. Quem não faz parte do grupo, contudo, deverá se incomodar com os versos a seguir.

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Diferença Mara - Parte 1

Eu sou do Nordeste, ele é do Sul/Prefere rap e eu sou mais Gadú

"Diferença Mara" é a música com os piores versos do EP - e, curiosamente, a que mais tem cara de hit. Em um dos momentos mais pegajosos, os compositores Dann Costara e Zé Neto, o Juzé da banda Os Gonzagas, fazem uma homenagem de gosto duvidoso a Maria Gadú, homenageada diversas vezes por Juliette durante os seus meses de confinamento no Big Brother Brasil. Que misturada esquisita.

Diferença Mara - Parte 2

Ele vem de bicicleta/Eu que nunca fui atleta

Na mesma "Diferença Mara", Juliette cita outras diferenças entre ela e o seu muso inspirador. Assim, nos deparamos com a surpreendente rima entre "bicicleta" e "atleta". Afinal, quem nunca teve um amor impossível com um ciclista?

Diferença Mara - Parte 3

Nunca foi sorte, sempre foi Deus/Meu coração agradeceu

"Nunca foi sorte, sempre foi Deus" é uma frase tão batida, usada tantas vezes por pessoas que não tinham nada a dizer, que, se a gente pensar bem, se encaixa perfeitamente com o disco. 

Diferença Mara - Parte 4 (daria para incluir a música toda)

Teu beijo me dеixou de cara/A nossa química é rara/Nossa diferença é mara

Faltou alguma palavra que rima com cara? Talvez chácara?

Bença

Não me arrependo de nada, não/Porque foi tudo de coração/Na vida a gente colhe o que planta

Em Bença, bela faixa de abertura do EP, Juliette deixa claro que ama uma frase motivacional. Inspirador, talvez (já fez a sua inscrição para o próximo Big Brother Brasil?).

Vixe Que Gostoso

É que teu beijo é massa/Eu gosto quando tu me amassa

Mais uma rima óbvia em outro provável hit do EP. Mas a gente admite: dançando a dois, agarradinho, ninguém vai se atentar na falta de criatividade.

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