Juliana Paes endossa discurso de Bolsonaro e diz que médica foi humilhada durante CPI

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A atriz Juliana Paes. Foto: reprodução/Instagram/julianapaes
A atriz Juliana Paes. Foto: reprodução/Instagram/julianapaes

Resumo da notícia

  • Juliana Paes concordou com a fala de Jair Messias Bolsonaro, que acusou os senadores da CPI da Covid de terem sido cruéis com a médica Nise Yamaguchi

  • Nise, defensora da cloroquina, foi alvo de críticas durante a CPI e questionada por muitas horas sobre dados técnicos do combate do governo federal diante da pandemia

  • Juliana Paes não entrou na questão política, afirmando apenas que Nise merece ser respeitada

Em um story postado na tarde desta quarta-feira (02), Juliana Paes se posicionou a respeito da repercussão do depoimento da médica bolsonarista Nise Yamaguchi durante a CPI da Covid. 

A atriz endossou o mesmo discurso do presidente Jair Messias Bolsonaro, que considerou que o senador Omar Aziz e demais senadores da CPI "humilharam" Nise após a médica se contradizer em suas falas e defender o tratamento precoce com drogas como a cloroquina, comprovadamente ineficaz contra a Covid-19.

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"Show de horror e boçalidades na CPI da Covid. Certa ou errada, não importa. Intimidação, coação... fala interrompida... mulher merece respeito em qualquer ambiente", escreveu Juliana, que foi duramente criticada nas redes sociais após endossar a fala do presidente. A atriz não entrou no mérito político da questão, criticando apenas o tratamento dado à Nise durante seu depoimento na CPI.

Questionada pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado, sobre o atraso na aquisição de vacinas contra a covid-19, a oncologista e imunologista Nise Yamaguchi afirmou que o problema foi a demora no “início do tratamento” dos pacientes, mesmo que não exista tratamento cientificamente comprovado contra o coronavírus. Apenas a vacina é capaz de minimizar os efeitos da covid-19. Por isso o mundo todo acelerou a produção de vacinas e vacinação em massa.

“Considero que o atraso que existe no início do tratamento é o que tem determinado tantos mortos, não só isso, mas temos também um problema de diagnóstico”, disse. A médica tentou defender o uso da cloroquina, e ficou em silêncio após o senador Alessandro Vieira comprovar que o estudo que defendia o medicamento no combate contra a Covid-19 havia sido descontinuado. "Essa informação eu não tinha", respondeu Nise.

O patriarcalismo e seus danos

O depoimento de Nise Yamaguchi e a resposta de Juliana Paes tocam uma questão importante do cenário político da pandemia: Nise, especialista em imunologia e doutora em pneumonologia pela Universidade de São Paulo (USP), está recebendo um número desproporcional de ataques durante a CPI, sendo que até maio de 2021 o uso da cloroquina era protocolo oficial indicado pelo Ministério da Saúde. A página que indicava o uso foi tirada do ar pelo Ministério da Saúde, e o ocorrido está sendo investigado pela CPI

Embora o depoimento de Nise possua inúmeras contradições e problemas de informação, focar as críticas apenas na médica em vez de denunciar a macro estrutura do governo federal é problemática, e piora ainda mais considerando o histórico de misoginia e machismo direcionado à médicas e cientistas no território brasileiro. E Debora Diniz define bem o episódio no post abaixo:

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Um relatório da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) da ONU Mulheres mostra que elas representam 45% dos pesquisadoras da América Latina e do Caribe diante das cerca de 29% globais, mas o respeito por suas pesquisas e a remuneração equivalente aos homens ainda são obstáculos na América Latina.

A promotora de Justiça, Gabriela Manssur também cita o silenciamento de mulheres.

"Como promotora de justiça, não concordo com a forma como muitas pessoas estão sendo tratadas durante a CPI. Total falta de respeito em relação, principalmente, às mulheres no exercício de suas profissões: Senadoras, Deputadas, Jornalistas, Médicas... VIOLÊNCIA POLÍTICA E INSTITUCIONAL DE GÊNERO", diz. 

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