Juliana Alves vive delegada em peça e volta a gravar 'Salve-se quem puder'

Amanda Pinheiro
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Novela, teatro, projeto de entrevistas, ativismo, maternidade... Na vida de Juliana Alves, é tudo ao mesmo tempo agora. A atriz, que recentemente voltou a gravar “Salve-se quem puder”, na pele de Renatinha, retornou também ao teatro com a comédia “Novo e normal”. O espetáculo é transmitido via streaming e narra a vida de diferentes tipos de casais, com cada ator encenando ao vivo de sua casa. Na peça, que fica em cartaz até o próximo domingo, Juliana interpreta a delegada Paula, primeira lésbica de sua carreira, casada com a personagem Amanda, de Paloma Bernardi.

— Amei o convite porque queria voltar ao teatro. Pude conversar com uma delegada da Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) e fico feliz que eu esteja tendo essa chance de fazer uma personagem que contribui para naturalizar o amor. Por mais que a gente queira que os espetáculos presenciais voltem, a gente sabe dos riscos neste momento — declara a atriz, que ressalta os benefícios do teatro na internet: — Esse formato possibilita que pessoas do mundo inteiro possam estar com a gente. Recebemos um depoimento de uma menina que mora em uma cidadezinha onde não tem teatro. Ela contou que só assim conseguiu ter acesso à peça.

Como inúmeros outros artistas, Juliana também aderiu às redes sociais durante a pandemia para dialogar com seus seguidores e compartilhar mais a rotina. No Instagram, ela criou o projeto “Pra nós”, em que aborda temas como racismo, maternidade, infância, entre outros. A experiência como apresentadora na internet foi uma grande possibilidade de troca de experiências, tanto que ela já planeja produzir novos vídeos em 2021:

— Foi muito bom me enxergar dessa maneira, fazendo algo que eu já gostava, mas não pensava de forma profissional. É importante a gente achar um canal de comunicação que seja confortável e verdadeiro. Ali, os especialistas falam de forma profissional e eu falo de um lugar intuitivo e afetuoso.

Mãe da pequena Yolanda, de 3 anos, fruto de sua união com o diretor de audiovisual Ernani Nunes, Juliana afirma que a maternidade sempre foi um sonho e se define como “uma mãe-coruja”.

— Sou muito apaixonada por ela. Acho que não existe uma qualificação para o amor de mãe. Cada uma ama de um jeito. Como sempre quis isso na vida, algumas tarefas são encaradas levemente. Durante a pandemia, nós passamos a conviver mais, mas percebi que a presença não pode ser quantitativa, mas qualitativa. O home office estressa a criança. Então, quando esse período passar, quero mudar algumas coisas e aproveitar mais os momentos com ela em família — planeja.

Constantemente, Juliana ainda não deixa de se posicionar sobre assuntos como racismo, feminismo e pautas sociais. Para ela, que utiliza as redes como ferramenta de visibilidade para esses temas, as mudanças têm acontecido, mas de modo lento.

— Na minha vida, esses temas sempre foram presentes. Por um tempo, na minha profissão, diminuí minhas falas em busca de ter um posicionamento mais maduro. Exposição não me interessa se não estiver associada a uma possibilidade de transformação social, inspirando positivamente. Percebo que as mulheres negras estão se fortalecendo e se unindo. Isso é uma conquista. E não vamos voltar atrás.

Espetáculo ‘Novo e normal’

Adaptado para o formato on-line, tem exibições aos sábados, às 21h, e aos domingos, às 15h. Em cartaz até o dia 6 de dezembro.

Ativista de causas raciais

Juliana Alves também é embaixadora do Instituto de Identidades do Brasil, o ID_BR.

Projeto “pra nós”

Os vídeos de até 15 minutos estão publicados no perfil da atriz no Instagram. São entrevistas sobre diversos temas.

Carnaval

Apesar das indefinições sobre a festa em 2021, Juliana, que foi rainha de bateria da Unidos da Tijuca, garante que não vai abandonar a folia.