Jovens da geração Z preferem beber menos?

Oktoberfest, em outubro de 2013, em Munich, na Alemanha (Foto: REUTERS/Michaela Rehle (GERMANY - Tags: SOCIETY FASHION TRAVEL)
Registro da tradicional festa Oktoberfest, em outubro de 2013, em Munich, na Alemanha (Foto: REUTERS/Michaela Rehle (GERMANY - Tags: SOCIETY FASHION TRAVEL)

“Uma das piores experiências que já tive e que me arrependo 100%”, diz a estagiária Yanne Almeida, de 18 anos, sobre provar, pela primeira vez, bebida alcoólica.

Na época com 16 anos, a jovem disse que misturou vodka com soda e não teve boas recordações. “Acredito por não ter o costume de beber, o álcool me deixou sem noção muito rápido. Meu coração acelerava muito e não conseguia dormir de maneira alguma”, relembra.

Desde então, não coloca mais uma gota de álcool na boca e passa longe de qualquer líquido que altere seu estado “normal”. Ela também diz que se tornou cristã e, por isso, ingerir bebidas alcoólicas não faz mais parte de sua rotina.

Assim como ela, a geração Z parece estar mais consciente sobre os efeitos danosos que o álcool pode causar no organismo. Uma pesquisa feita pela Beyond Binary mostrou que americanos e ingleses de 13 a 15 anos que provaram álcool pela primeira vez caiu de 72%, em 2000, para 36%, em 2016.

Um outro relatório global divulgado pela IWSR, que analisa tendências do setor, também mostrou dados semelhantes. Mesmo não tendo relação com o consumo de bebidas entre os jovens, a entidade revelou que as vendas de produtos sem álcool e com baixo teor alcoólico em dez mercados globais—incluindo o Brasil—foram de US$7,8 bilhões em 2018 para US$ 10 bilhões em 2021.

Embora os dados pareçam animadores em relação à geração Z, ainda não é possível afirmar que jovens estão bebendo menos. Em todo o mundo e em todas as regiões reconhecidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a prevalência de BPE (beber pesado episódico) é menor entre adolescentes de 15 a 19 anos do que na população total. Porém, dos 20 aos 24 anos, torna-se maior.

Bartender serve clientes em bar na Itália, em 2018 (Foto: Stefano Guidi/LightRocket via Getty Images)
Bartender serve clientes em bar na Itália, em 2018 (Foto: Stefano Guidi/LightRocket via Getty Images)

“Jovens de 15 a 24 anos, quando bebem, muitas vezes praticam o consumo pesado”, destaca Mariana Thibes, coordenadora do CISA (Centro de Informações sobre Saúde e Álcool).

Já um estudo feito pela Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) de 2019 mostrou que o consumo de bebidas alcoólicas entre 13 e 17 anos foi de 63,3%. “Não há evidências de que os jovens, no Brasil, estejam consumindo menos álcool do que no passado, ou substituindo-o por outras drogas”, acrescenta.

Quais os impactos de começar a beber cedo?

Os adolescentes, se comparados aos adultos, são mais sensíveis aos efeitos neurotóxicos do álcool. O cérebro dos jovens, que apresenta bastante plasticidade, pode sofrer mudanças duradouras em decorrência do uso de álcool e, consequentemente, provocar alterações de comportamento.

Pessoas bebendo em um gramado na rua, em julho de 2011 (Foto: JEAN-PHILIPPE KSIAZEK/AFP via Getty Images)
Registro de pessoas bebendo em um gramado na rua, em julho de 2011 (Foto: JEAN-PHILIPPE KSIAZEK/AFP via Getty Images)

Quanto mais cedo um adulto jovem começa a se expor à bebida, ele terá mais dificuldade de reter novas informações. “O álcool é responsável por degenerar o hipocampo, que é responsável pelas sensações de memória. Ele pode perder a falta de julgamento, perda de processo decisório e outros”, explica Andressa Heimbecher, endocrinologista e membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia.

A bebida em excesso pode ainda fazer com que jovens fiquem mais propensos a comportamentos de risco – incluindo brigas, sexo desprotegido ou não consensual, acidentes automobilísticos e outros. “Os jovens também podem deixar de cumprir obrigações importantes e até ter problemas legais, sociais ou interpessoais”, destaca Thibes.

Por último, consumir álcool em excesso na adolescência pode ainda provocar sobrecarga de órgãos como fígado e pâncreas. “O fígado lida muito mal com atividade em excesso, podendo inflamar e gerar fibrose, que é o começo do processo da cirrose”, diz a endocrinologista.

Bebidas sem álcool são menos piores?

Consumir drinques e cervejas que não tenham álcool pode ser uma opção mais saudável. No entanto, é preciso ter atenção a esse tipo de ingesta.

Como não tem o efeito danoso de substâncias alcoólicas, bebidas zero podem ser “menos danosas”, já que possuem menor quantidade de calorias e carboidratos. Dessa forma, fazem com que ocorra uma liberação menor de insulina pelo pâncreas e com isso uma menor sobrecarga de calorias.

Esse tipo de consumo é indicado para pessoas que gostam muito de beber, querem mudar os hábitos e não querem abrir mão daquela “social”. Também pode ser uma alternativa para jovens que não são adeptos de bebidas com muito álcool. Porém, deve ser consumido com moderação, pois ainda assim há calorias e o consumo exagerado também pode engordar.