Jovens assumem publicamente que são portadores do vírus HIV

Geovanni (Foto: Arquivo Pessoal)

Por ALEscosteguy

“Tudo no sigilo, parece que voltei pra dentro do armário novamente.” Essa frase está no textão que o goiano Geovanni Henrique de Lima, 24 anos, postou na sua página do Facebook no fim de janeiro. Cansado dos melindres de lidar com a forma de revelar ser portador do vírus para amigos ou namorados, ele resolveu por fim a isso abrindo-se publicamente sobre a doença.

Foi através da postagem que os colegas de trabalho ficaram sabendo. Geovanni foi bem acolhido e sua chefe imediatamente o procurou para informar-se sobre como agir em caso de emergência – uma reação completamente oposta à que as pessoas na sua cidade natal, Goiânia, tiveram. Por lá, quando Geovanni compartilhou a notícia do HIV com amigos, logo ficou mal falado. Somado à depressão que começava por conta da medicação, preferiu mudar-se para Caxias do Sul, cidade onde o irmão mora.

Educação como ferramenta de combate ao preconceito

O jovem não é o primeiro a expor publicamente o fato de ser portador do vírus HIV. Hoje em dia, com o tratamento feito de forma correta, é possível conviver com o vírus durante anos. Como Geovanni disse em seu textão “Conheço pessoas com HIV mais saudáveis que pessoas com a sorologia negativa.”.

Gabriel Comicholi, 21 anos, morava no Rio de Janeiro quando, através de exames de rotina, descobriu também ser portador do HIV. Na época, só achava informações falsas ou complicadas em pesquisas na internet.

Gabriel (Foto: Arquivo Pessoal)

Em abril de 2016, Gabriel, que é ator, fez um canal de YouTube para criar conteúdo educativo sobre a doença da forma que gostaria de ter encontrado. “Quando eu quero fazer uma comida e não sei, vou na internet e pesquiso um tutorial. Minha ideia no canal é bem similiar. Mostrar o passo a passo do tratamento e das descobertas, sem mascarar”, conta.

Já em Curitiba – para onde retornou para realizar o tratamento na companhia dos pais – Gabriel fez um vídeo onde toma os remédios pela primeira vez e relata as sensações e sintomas. Na opinião dele, sua geração – apelidada por ele mesmo de “pós-Cazuza” – não foi educada para lidar com a AIDS, portanto é essencial que pessoas como ele e o Geovanni se abram publicamente. “A cura para o preconceito é a informação.”, completa, repetindo um clichê que continua se mostrando necessário.

Embora concorde com o goiano sobre a descoberta da doença os colocarem em um segundo armário, o ator acha que é mais difícil para os heterossexuais assumirem a doença. Afinal, eles tem mais experiência em sair do armário e o HIV ainda está associado diretamente a homossexualidade e promiscuidade.

A novidade de 2017 para o canal HDiário é a série H-Libras, sobre educação sexual para deficientes auditivos, surdos e implantados. “A educação sexual não chega à essas pessoas, e fica muito difícil eles terem qualquer tipo de informação (sobre o assunto)”. O primeiro episódio já está no ar.