Vítima de homofobia, jovem abre hamburgueria gay em SP: 'Me deu força'

Rafael Lundgren é a mente por trás do Burgay, "a lanchonete mais gay de São Paulo" (Foto: Reprodução/Instagram @oburgay)

Se você jogar o nome de Rafael Lundgren, 29, no Google, verá que o carioca foi vítima de homofobia há dois anos. Ele foi agredido covardemente por um motorista de aplicativo por conta do valor de uma corrida. O episódio deu forças para que o ex-roteirista abrisse seu próprio negócio em São Paulo. O jovem é a mente por traz do Burgay, uma hamburgueria LGBTQ+ que está bombando na cidade.

Já conhece o Instagram do Yahoo Vida e Estilo? Siga a gente!

Lundgren opera o empreendimento há apenas dois meses e a novidade já está dando o que falar nas redes sociais. “Culpa” dos hambúrgueres pra lá de animados: os pães são cor-de-rosa e enfeitados com glitter comestível. Uau! Além disso, os lanches ganharam nomes de divas do pop. O Madonna, por exemplo, é um x-salada. “Clássico como a cantora”, opina o dono do Burgay. Quem concorda?

Leia também

A crise na indústria audiovisual foi o principal motivo pelo qual Rafael decidiu apostar no seu talento na gastronomia. “Tive que procurar uma nova alternativa para pagar as contas. Sempre gostei de cozinhar e meu hambúrguer fazia sucesso quando recebia os amigos em casa”, explica. O empurrãozinho de uma colega o motivou a correr atrás da ideia.

“Juntei as duas coisas que sei fazer de melhor: cozinhar e ser viado”

“Tem uma hamburgueria a cada esquina em São Paulo. Por isso, decidi juntar as duas coisas que eu sei fazer de melhor: cozinhar e ser viado”, diz Lundgren. Ele começou a produzir há dois meses, assim quando conseguiu ativar o restaurante em um aplicativo de delivery. O Burgay nasceu na cozinha de seu próprio apartamento, mas a estrutura não funcionou por muito tempo, claro. “Ficou insustentável depois de duas semanas. Apareciam sete, oito entregadores na porta do prédio e a síndica veio falar comigo”, conta.

A solução foi levar a hamburgueria para outro espaço mesmo sem condições financeiras: “Investi em tudo sozinho com a ajuda da minha mãe, que é sócia do Burgay, e abrimos uma portinha em Pinheiros [zona oeste da capital]. Nosso forte é o delivery por conta do espaço, mas já recebemos o público. Temos umas cadeiras de praia porém a ideia é pegar e levar.”

Rafael conta com um funcionário. Ele cozinha, faz compras, cuida da parte financeira, administrativa... “Tá bem complicado”, afirma. Mas a correria não é à toa. O Burgay bombou nas redes sociais e, hoje, pouco tempo depois da inauguração, produz a todo vapor. “Os insumos que eram para 10 dias de funcionamento dão apenas para dois dias. Triplicamos as vendas nas últimas semanas”, revela. Ele agradece à deusa Gaga e à “Santa Cher”. Amém!

“O grande lance do nosso trabalho é a criatividade”

O sucesso do Burgay está totalmente relacionado com a divulgação nas redes sociais. Na internet, a comunidade LGBTQ+ pira com os nomes e com a aparência dos hambúrgueres. “O mais pedido é o da Madonna, que é um x-salada. Um clássico assim como ela. O meu favorito é o Brie.tney, com queijo brie e damasco. Essa combinação é o novo arroz e feijão”, conta Lundgren, que é fã de carteirinha de Britney Spears. “O grande lance do nosso trabalho é a criatividade. Por que vou chamar de ‘x-salada’ algo que pode ser mais divertido?”, completa. A rainha Beyoncé também está na lista das homenageadas, claro.

O empreendedor investe no Instagram para atrair os clientes. A conta do Burgay no Instagram, além de exibir os hambúrgueres, é recheada de memes e posts que remetem à cultura pop. Ele, que já trabalhou com redes sociais, sabe que vale a pena investir nisso. “A linguagem do gay é nesse sentido e queremos falar com o consumidor do jeito que falamos no dia a dia. As pessoas se sentem parte do negócio e interagem como se tivessem conversando com amigos”, opina. Apesar de toda a graça, Lundgren tem um lema: “não adianta ter algo divertido e não ter comida boa”.

“Ter um negócio LGBTQ+ é um ato político”

“A hamburgueria mais gay de São Paulo”, como diz a descrição no Instagram, tem tudo a ver com liberdade e igualdade. Lundgren quer criar um espaço seguro para as “manas”. “Hamburguerias, botecos, baladas etc. são muito heteronormativos. Queremos que o Burgay seja um ambiente onde pessoas se sintam confortáveis para serem quem são de verdade”, explica.

Rafael foi vítima de homofobia em 2017. Ele foi agredido por um motorista de aplicativo por conta do valor de uma corrida. Seu relato sobre o caso viralizou no Facebook na época. “Desenvolvi síndrome do pânico depois disso, mas é algo que me dá força hoje. Me sinto mais preparado para receber qualquer tipo de hostilidade por conta da proposta do Burgay. E ter um negócio LGBTQ+ também é um ato político”, garante.

Homofobia e machismo não passarão - e se depender de Lundgren, vai ter Burgay em todos os lugares. “Abrimos há apenas dois meses, ainda não sei nem meu faturamento mensal, mas está legal para a gente. Já estamos procurando um lugar maior e pensando em franquias”, finaliza. É hora de se preparar para a “ditadura hamburgayzista”!

Burgay: Rua Cardeal Arcoverde, 564 - Pinheiros - São Paulo/SP