Jovem de 19 anos perde pais, avó e bisavó por Covid no PA e volta para Manaus para cuidar dos irmãos: 'Por favor, oxigênio'

Redação Notícias
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Para retornar a Faro, ela contou com o apoio de amigos e familiares que se mobilizaram em uma vaquinha para arrecadar dinheiro para as despesas da viagem (Foto: Reprodução/Redes sociais)
Para retornar a Faro, ela contou com o apoio de amigos e familiares que se mobilizaram em uma vaquinha para arrecadar dinheiro para as despesas da viagem (Foto: Reprodução/Redes sociais)

Zaynny Paulain, 19 anos, saiu do município de Faro, no Pará, rumo a Manaus, no Amazonas, para estudar e trabalhar. Porém, após a morte dos pais, avó e bisavó por Covid-19, ela teve que retornar à cidade para cuidar dos dois irmãos — uma menina de 12 e um menino de 16 anos — que ficaram com os tios.

“Não vai ser fácil, mas eu vou conseguir seguir firme com meus irmãos. Eles precisam de mim", escreveu ela em uma rede social. A frase foi a maneira encontrada pela jovem para homenagear a família, que morreu em meio ao colpaso na rede de saúde do município de Faro e a falta de oxigênio em hospitais públicos.

Além de ter perdido a família para a doença, Paulain também não pôde comparecer ao enterro dos pais. Por causa das restrições de viagem do Amazonas ao Pará, a jovem ainda não chegou ao município. A previsão, segundo o G1, é que ela chegue ainda nesta sexta-feira (22).

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Para retornar a Faro, ela contou com o apoio de amigos e familiares que se mobilizaram em uma vaquinha para arrecadar dinheiro para as despesas da viagem, segundo contou ao G1.

Zander Pereira Batista, 39 anos, e Elriane Guerreiro Paulain, 33 anos, pais de Paulain, morreram dia 19 de janeiro, no distrito Nova Maracanã, em Faro, após complicações da Covid-19. Pouco tempo antes, a jovem já tinha perdido a bisavó, Inacia Guerreiro Paulain, e a avó, Maria Varela Guerreiro, também vítimas do vírus.

“Por favor, Deus, faça que chegue oxigênio”

Ao G1, a prefeitura de Faro negou que as mortes dos familaires de Paulain tenham ocorrido por falta de oxigênio. A gestão do município informa que recebeu apenas oito balões de oxigênio no hospital municipal e que apenas cinco estavam cheios.

No entanto, segundo o jornal, Paulain apelava desde o dia 14 de janeiro em suas redes sociais para que autoridades mandassem oxigênio ao município de Faro.

"Por favor Deus faça com que chegue esse oxigênio, vidas estão em jogo. Já perdi duas pessoas, ainda tem meus pais, meus tios, pessoas que estão precisando", dizia mensagem postada no Facebook no dia 18, véspera da mortes dos seus pais.

O governo do estado providenciou socorro imediato ao município com o envio de 30 cilindros de oxigênio e atendimento no barco-hospital Papa Francisco, que foi deslocado para Nova Maracanã após a morte da bisavó, da avó e dos pais de Zaynny Paulain.