Serra recebeu ao menos R$ 4,5 milhões em propina em conta no exterior, diz Ministério Público

Foto: ANDRESSA ANHOLETE/AFP via Getty Images)

O ex-governador e atual senador José Serra (PSDB) foi denunciado nessa sexta-feira (03) pela força tarefa da Lava Jato em São Paulo por lavagem de dinheiro. O tucano teria solicitado, no fim de 2006, propina de R$ 4,5 milhões para a Odebrecht, indicando que gostaria de receber o montante no exterior, por meio de uma empresa offshore.

De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), o empresário José Amaro Pinto Ramos seria o responsável pela offshore. Ramos seria amigo de Serra há anos. O tucano apareceria como “vizinho” nas planilhas da empreiteira por morar próximo a Pedro Novis, um dos principais nomes da companhia.

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A Lava Jato diz que a Odebrecht atendeu ao pedido de Serra e pagou, entre 2006 e 2007, mais de 1,5 milhão de euros à offshore de José Amaro. O pagamento teria sido realizado em “numerosas transferências”. Boa parte desse montante, cerca de 936 mil euros, chegaram a outra offshore, que era controlada por Verônica Serra, filha do senador que também é denunciada pela força-tarefa.

“Tais pagamentos mostraram-se uma contrapartida ao atendimento de interesses diversos da Odebrecht naquele período, atinentes a diversas obras que a empreiteira realizava no Estado de São Paulo. E dentre esses interesses atendidos, em específico, estava a repactuação do contrato n° 3584/2006, relativo às obras do Rodoanel Sul de São Paulo, de maneira a minorar o impacto do decreto estadual nº 51.473, bem como o não oferecimento de dificuldades no curso da execução da mesma obra”, apontam os procuradores.

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Esse valores teriam sido destinados ao tucano em troca de benefícios relacionados às obras do Rodoanel Sul, um complexo viário no Estado.

De acordo com os procuradores, a conta controlada por Ramos seria apenas uma “primeira camada” para realizar a lavagem de dinheiro. As outras “camadas” resultariam numa “sofisticada rede de offshores no exterior”

“Uma grande gama de pagamentos, feitos pela Odebrecht à Circle [empresa offshore] em curto período e de modo fracionado, embora estivessem vinculados nos sistemas de contabilidade da empreiteira a ‘vizinho’, codinome de José Serra, e tivessem sido feitos por sua solicitação e em seu favor, tiveram de fato, como destinatário imediato, a pessoa de José Amaro Ramos. E neste diapasão, por envolverem valores de natureza espúria, relacionada a crimes de corrupção (notadamente a passiva, na modalidade solicitar) e de cartel, e por visarem a ocultá-la e a dissimulá-la, nada mais foram que atos de lavagem de ativos”.

O MPF solicitou e foi autorizado pela Justiça Federal a bloquear cerca de R$ 40 milhões em uma conta na Suíça que estaria ligada ao tucano.

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