Jornalista mexicano descreveu, em 2006, como seria comoção pela morte de Maradona

Louise Queiroga
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A crônica "Vida, morte e ressurreição de Diego Armando Maradona", contida no livro "Deus é redondo" e publicada em 2006 pelo jornalista mexicano Juan Villoro, antecipava como seria o dia da morte do craque argentino, confirmada por fim nesta quarta-feira, dia 25.

"Diego Armando Maradona morreu. No futebol, apenas uma vez um homem foi todos os homens", registrou o escritor há 14 anos. "Apesar de estar de fraque, parecia que ia matar uma bola com o peito. Foi o maior capricho que o futebol conheceu. O mais dramático e quem mais influenciou a sua equipe. Nem Pelé exerceu liderança tão unânime. Na Copa do Mundo de 1986, Diego conseguiu nos fazer acreditar que qualquer time teria sido campeão com ele no topo", acrescentou.

O cronista comparou ainda a morte do ex-jogador com acontecimentos marcantes na história mundial.

"Três notícias mudaram o curso do planeta: a privatização da Muralha da China, o terremoto que aniquilou a Cidade do México e a morte de Diego Armando Maradona. Escrevo estas notas com a culpa e a dor do sobrevivente", previu o escritor no livro mencionado, descrevendo o quão enorme seria a repercussão daquela perda para os amantes do futebol.

"'Ninguém me deu tanta felicidade em minha vida', disse-me um taxista de Buenos Aires, reclamando de diegodependência", narrou.

"Às vezes, uma perda produz o efeito de revelar o que que sempre esteve lá, mas só poderia ser fortalecido na ausência. O mundo passa por momentos que repensam o que era dado como certo. O terremoto na Cidade do México poderia ter causado menos vítimas. É possível que a privatização da Grande Muralha e suas novas decorações de neon também pudessem ter sido evitadas. Só quando eles são abertos, as feridas dão suas lições".

"A morte do argentino 10 possibilitou uma revisão da hagiografia", destacou, referindo-se à escrita de obras sobre temas sagrados.

Filho do filósofo Luis Villoro, Juan Villoro é um ronomado escritor mexicano, vencedor do prêmio Herralde pela obra "El testigo". E ele não foi o único a se inspirar no número 10 da Argentina. Autores como Mario Benedetti, Eduardo Sacheri, Hernán Casciari, Eduardo Galeano e Mario Vargas Llosa também deixaram registros sobre o craque.