Jornalista Artur Xexéo, referência na cobertura cultural, morre aos 69 anos

·4 minuto de leitura

SÃO PAULO, SP, E RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Morreu neste domingo (27), aos 69 anos, o jornalista carioca Artur Xexéo, uma das referências da imprensa cultural brasileira.

A causa da morte foi uma parada cardiorrespiratória ocorrida em meio ao tratamento de um linfoma descoberto há duas semanas. As informações são do jornal O Globo, onde era colunista e exerceu, entre outras funções, a de editor do Segundo Caderno.

A carreira de Xexéo no jornalismo começou no Jornal do Brasil, em 1975, e incluiu passagens pelas revistas Veja e IstoÉ. Há duas décadas estava no jornal O Globo.

O jornalista começou a se especializar em cultura, tema que o acompanharia até o final da vida, já na década de 1970 —época em que trabalhou na Veja, sua principal escola, como disse em depoimento ao site Memória Globo. “Embora nós fôssemos contratados para trabalhar em áreas específicas, todo mundo podia entrar em outra editoria. Foi onde fiz as matérias mais diversificadas.”

No Jornal do Brasil, foi responsável pela reformulação da Revista de Domingo na década de 1980, ampliando seu escopo de pautas junto ao jornalista Zuenir Ventura, que o convidara a trabalhar no suplemento. No jornal carioca, também editou o Caderno B e o caderno de Cidade.

Na última década, Xexéo passou a atuar como comentarista de cultura no canal de notícias GloboNews, na bancada do programa Estúdio I, e participava há seis anos das transmissões da cerimônia do Oscar feitas na TV Globo, depois da morte do ator José Wilker, que costumava comentar o evento.

Xexéo construiu ainda uma carreira sólida como escritor e dramaturgo. Foi autor de uma biografia da apresentadora Hebe Camargo, em 2017, que embasou o recente filme sobre sua vida, e outra da novelista Janete Clair, de 1996.

Ao Memória Globo, o jornalista disse ter ficado feliz de prestar homenagem a uma autora de folhetins que sempre se ressentira de “não ser aceita pela intelectualidade”.

Também publicou a coletânea de crônicas “O Torcedor Acidental”, sobre suas coberturas de Copas do Mundo, e o livro “Liberdade de Expressão”, em parceria com Heródoto Barbeiro e Carlos Heitor Cony —de quem se aproximou quando ambos eram comentaristas da rádio CBN.

No teatro, o escritor se notabilizou pelos musicais, boa parte deles homenagens a grandes artistas brasileiros, como “Cartola - O Mundo é um Moinho”, “A Garota do Biquíni Vermelho” e “Bibi - Uma Vida em Musical”, coautoria com Luanna Guimarães.

Quase em simultâneo à biografia em livro, levou também a vida de Hebe Camargo para os palcos num musical dirigido por Miguel Falabella. Xexéo trabalhou ao lado de alguns dos principais nomes das artes cênicas, como Falabella, Marília Pêra, Françoise Forton e Jacqueline Laurence.

Com Laurence, fez a comédia romântica “Nós Sempre Teremos Paris”, um musical de teor mais pessoal, como também foi o caso de “Minha Vida Daria um Bolero”.

Adaptou para os palcos brasileiros os musicais americanos “Xanadu”, “Love Story” e “A Cor Púrpura”, versão musical da Broadway para o clássico de Alice Walker que acabou sendo o último trabalho encenado de Xexéo, em 2019, com direção de Tadeu Aguiar.

​O jornalista deixa o marido, Paulo Severo.

REPERCUSSÃO

“Artur Xexéo, gente como você não morre nunca. Descansa um pouquinho e volta logo! Muitas saudades, grande amigo.”

Paulo Coelho, escritor

“Nos despedimos de um aliado da informação, do bom senso, do carisma. Em um dos seus últimos artigos para O Globo, Xexéo invocou Ataulfo: ‘A maldade desta gente é uma arte’. Este mundo não merecia a bondade do seu coração, Xexéo.”

Randolfe Rodrigues, senador (Rede-AP)

“Estou em choque, numa tristeza imensa. Trabalhei com Artur Xexéo desde meados dos anos 1980. No Jornal do Brasil, em O Globo, na GloboN ews. Elegante, inteligente, culto, divertido, amigo. Que perda.”

Míriam Leitão, jornalista

“Lamento muito a morte do jornalista e escritor Artur Xexéo. Um linfoma o levou aos 69 anos. O mundo fica menos inteligente, lhano, delicado. Que dias estes.”

Reinaldo Azevedo, colunista da Folha

“Siga em paz, meu querido Xexéo, grande jornalista e escritor. Deixo aqui os nossos sorrisos,

a minha admiração por ti e os meus sentimentos à família e aos amigos. Que a Sônia Mamede, que fiz através de você, te receba lá em cima.”

Regiane Alves, atriz

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos