Jorge Amado concorreu ao Nobel de literatura há 50 anos e perdeu para Neruda

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O escritor Jorge Amado na mesa de jantar de sua casa em Salvador (BA). (21.12.1997). (Foto: Eder Chiodeto/Folhapress)
O escritor Jorge Amado na mesa de jantar de sua casa em Salvador (BA). (21.12.1997). (Foto: Eder Chiodeto/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O escritor brasileiro Jorge Amado foi considerado pela Academia Sueca em 1971 para ganhar o prêmio Nobel de literatura. É isto o que revela um documento recentemente divulgado pela instituição, que só abre os nomes considerados para cada prêmio 50 anos após a ocasião. Naquele ano, o poeta chileno Pablo Neruda foi o vencedor.

Ainda assim, de acordo com os arquivos, o presidente do comitê Anders Österling ficou na dúvida se Neruda era a escolha certa, considerando se "tendência comunista cada vez mais dominante em sua poesia [era] compatível com o propósito do prêmio Nobel".

Eram quase cem nomes na lista --muitos célebres, como o argentino Jorge Luis Borges (que acabou recebendo apenas um Nobel póstumo), o búlgaro Elias Canetti, o francês André Malraux, os americanos Ezra Pound, James Baldwin e Arthur Miller. Mas nesse rol, apenas uma mulher: a poeta e tradutora estoniana Marie Under.

A escritora expressionista chegou a concorrer ao prêmio oito vezes e ajudou a fundar o sindicato dos escritores no seu país natal. Não há obras dela publicada no Brasil.

O páreo também tinha William Golding, de "O Senhor das Moscas", Günter Grass --que receberia o prêmio em 1999--, Graham Greene, que já havia aparecido em listas anteriores, assim como Vladimir Nabokov e Tennessee Williams.

À época, Amado já tinha publicado alguns de seus maiores sucessos, como "Capitães da Areia", de 1937, "Gabriela, Cravo e Canela", de 1958, "Dona Flor e Seus Dois Maridos", de 1966, e "Tenda dos Milagres", de 1969, com traduções em diversos idiomas.

O documento original em sueco aponta apenas ainda que a indicação de Amado foi sugestão do professor de literatura francesa na universidade de Nancy, Laurent Versini. Enquanto isso, Neruda já acumulava três recomendações.

O baiano já havia aparecido na lista de 1967 do Nobel, assim como o itabirano Carlos Drummond de Andrade --quando perderam para o guatemalteco Miguel Ángel Asturias.

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