Jordan Peele, diretor de 'Corra!' e 'Nós', diz que nunca fará filmes com protagonistas brancos

(Imagem: divulgação Universal)

Em alta depois dos sucessos de ‘Corra!’ (que lhe valeu o Oscar de roteiro original) e ‘Nós’ (que tem quebrado recordes de bilheteria e também a cabeça do público), o cineasta Jordan Peele ganhou status de membro do primeiro time de Hollywood. Aproveitando esta posição de destaque, ele deu uma demonstração de que pretende continuar abrindo espaço para atores negros viverem os personagens principais que escreve.

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“Eu tenho que colocar pessoas negras nos meus filmes”, disse, em evento em Nova York, de acordo com o The Hollywood Reporter. “Me sinto privilegiado de estar nesta posição em que posso dizer à Universal Studios: ‘Quero fazer um filme de terror de 20 milhões de dólares com uma família negra’, e eles dizem sim.”

“Não me vejo escalando um cara branco como protagonista no meu filme”, continuou. “Não que eu não goste de caras brancos, mas eu já vi esse filme.” De acordo com a publicação, o público reagiu com entusiasmo, aplaudindo a fala de Peele.

O tema da representatividade negra tem sido amplamente discutido na indústria cinematográfica norte-americana nos últimos anos. O ápice aconteceu após as edições de 2015 e 2016 do Oscar, quando nenhum ator, atriz ou cineasta negro esteve entre os indicados às principais categorias. O caso jogou luz num problema estrutural, a respeito do tipo de produção que costuma ganhar a atenção da Academia.

Nos anos seguintes, novos membros votantes foram convidados a votar e as mudanças se refletirem rapidamente. O próprio Peele ganhou uma estatueta, em 2018, e este ano estiveram presentes em categorias importantes filmes como ‘Pantera Negra’, ‘Infiltrado na Klan’ e ‘Se a Rua Beale Falasse’, todos feitos por artistas negros e com questões raciais bastante presentes nas tramas.

Mas isso não quer dizer que todo longa-metragem do diretor tenha que trazer o assunto em primeiro plano. Se em ‘Corra!’ o preconceito e apropriação cultural eram os elementos de base da trama, em ‘Nós’ este não é o tópico. Diversidade, afinal, também é poder contar histórias variadas.