Jogar moedas, bater palmas e mais rituais bizarros que envolvem aviões

Viagens aéreas e superstições andam de mãos dadas – istock

Por Annabel Fenwick Elliott

Um passageiro supersticioso, na China, causou o atraso de mais de 1 hora em um voo para Bangkok,  depois de jogar moedas no motor do avião para dar sorte. Este foi o quinto incidente desse tipo até o momento, só neste ano, segundo o jornal South China Morning Post.

Os passageiros estavam embarcando em um voo da China Southern Airlines, saindo da cidade de Nanning, quando uma mulher jogou seis moedas no avião, tendo sido detida em seguida e causando um atraso de 78 minutos, enquanto a tripulação tentava recuperar as moedas.

Mais tarde, a companhia avisou os clientes nas redes sociais sobre tais atos “supersticiosos”, insistindo: “Cumpra as regulamentações de segurança da companhia, ao entrar em aviões e não jogue coisas na aeronave”.

Em um caso quase idêntico, em 2017, uma mulher de 80 anos jogou nove moedas no motor de um avião da China Southern, que iria de Xangai para Guangzhou, resultando em um atraso de cinco horas. Ela foi expulsa com uma advertência, mas neste ano, uma mulher de 66 anos foi detida por 10 dias por ter cometido o mesmo ato quando embarcou em um voo da Tianjin Airlines na Mongólia.

Acredita-se que o aumento do número desses incidentes é o resultado de mais chineses estarem fazendo viagens de avião pela primeira vez.

Incidente semelhante: em 2017, um passageiro jogou nove moedas no motor desse avião da China Southern. Crédito: asiawire

Ao discutir os riscos em jogar moedas no motor de um avião, um professor da Universidade de Aviação Civil da China disse: “O motor pode tremer, perder velocidade e até mesmo parar no ar se uma moeda for sugada para dentro. Isso seria um risco enorme para todos os passageiros a bordo”. É uma prática perigosa pelas mesmas razões que são arriscados os ataques de pássaros e, numa tendência mais recente, os drones.

Talvez não seja surpreendente que as pessoas tenham desenvolvido certos rituais ao longo do tempo, sejam eles relacionados ao medo ou não. Aqui estão algumas outras práticas na hora de voar​​…

Bater palmas no pouso

É menos comum atualmente, pois hoje em dia estamos mais acostumados a voar, mas bater palmas depois de um pouso seguro ainda acontece. Falando à Telegraph Travel sobre o tema, Patrick Smith, piloto norte-americano e autor do livro Cockpit Confidential, comentou: “Bater palmas era comum no final dos anos 70 e início dos anos 80, mas já não é mais.”

“Você perceberá que quando isso acontece, é um fenômeno restrito à classe econômica”, diz ele. E não é por razões socioeconômicas, mas sim porque a dinâmica de tantas pessoas sentadas juntas gera um certo “espírito de grupo”.

Números da sorte

Oito é considerado um número da sorte na Ásia. Assim, o voo UA888 da United Airlines entre São Francisco e Pequim não se poupou ao garantir os três dígitos tão sortudos na identificação. Pela mesma razão, as companhias aéreas tendem a evitar o uso dos dígitos ‘666’ ao enumerar uma rota de voo. Mas nem sempre. O FR666 é o número de voo da Ryanair que atende a rota entre Dublin e Birmingham.

Alterar os números do voo após um acidente

As companhias aéreas geralmente removem o número de um voo, caso ele tenha sofrido um acidente fatal. Por isso, hoje a rota entre Kuala Lumpur e Pequim da Malaysian Airlines tem o código MH360.

Costumava ser o agora fatídico MH370, até que um desses voos desapareceu dos céus entre Kuala Lumpur e Pequim em 2014, tirando a vida das 239 pessoas a bordo. O voo de retorno, anteriormente MH371, é agora MH361.

A mesma alteração ocorreu com todos os quatro voos americanos que sofreram atentado no dia 11 de setembro de 2001. O voo UA717 da United Airlines – antes UA175, que derrubou a Torre Sul do World Trade Center – é o atual número da rota entre o aeroporto Logan em Boston e o aeroporto internacional de Los Angeles.

A troca de mini modelos de aeronaves

Na América, os empresários apertam as mãos. No Japão, eles se curvam um ao outro. Mas em todo o mundo os executivos das companhias aéreas se envolvem em uma saudação única: a troca de modelos de aviões.

Quando as companhias aéreas começam a voar para novas cidades, fazem acordos com outras operadoras ou financiam novos jatos, esses modelos de alta qualidade – normalmente com alguns centímetros de comprimento – são geralmente presenteados, devido a uma tradição que existe há décadas. Se você der uma voltinha na sede de qualquer companhia aérea, poderá ver a variedade de modelos de aeronaves – incluindo as dos concorrentes.

Esses modelos são baseados em ideias de engenheiros aeroespaciais, que usavam essas miniaturas numa época em que não haviam computadores para projetar aviões, e os testavam em túneis de vento.

Hoje, o presidente da JetBlue, Robin Hayes, tem 15 modelos em seu escritório e mais algumas dezenas em suas prateleiras. “Algumas pessoas gostam de ir a um museu e apreciar arte. Alguns as pessoas gostam de uma boa garrafa de vinho”, diz ele.” Eu gosto de miniaturas de aviões bem-feitas.”

Créditos: ap

A saudação dos jatos de água

“A chegada de novos jatos é um marco para qualquer companhia aérea, por isso os lançamentos de novas aeronaves são algo importante a ser celebrado, com direito ao melhor champanhe que há e o maior número de convidados, incluindo presidentes de empresas, embaixadores, xeiques e príncipes”, disse Alex Macheras, analista de aviação, que trabalha cobrindo tais cerimônias. “Nestes eventos, um frisson de excitação é palpável no ar. ” Assim como são os enormes canhões de água.

Este “batismo” que acontece quando novos aviões são recebidos na frota de uma companhia aérea é um gesto de comemoração na aviação, e é celebrado com dois caminhões de bombeiros que lançam água para o ar, criando um arco para o avião passar por baixo.

Dados e guarda-chuvas

Em 2017, o autor S.P. MacKenzie reuniu todas as superstições bizarras que foram praticadas por pilotos militares durante a Segunda Guerra Mundial em seu livro Flying Against Fate (Voando contra o Destino, em tradução livre).

“Muitos soldados de combate da aeronáutica carregavam amuletos de sorte consigo”, disse ele ao Smithsonian’s Air & Space. “O piloto George Kenney, por exemplo, enquanto comandava a Quinta Força Aérea, sempre carregava um par de dados da sorte.”

Contando sobre o caso mais estranho que ele descobriu, MacKenzie relatou: “Tinha que ser um ritual bastante complicado envolvendo dançar nas asas da aeronave com um guarda-chuva aberto antes de descer e entrar no avião. Isso provavelmente demorava pelo menos cinco minutos para ser completado e parecia muito estranho”.

A saudação dos canhões de água tem sido um ritual para a recepção de novos aviões há muitos anos. Crédito: getty

Batendo na fuselagem

Quando se trata de passageiros modernos, um estudo, sobre o qual já falamos aqui, sugere que mais de 65% das pessoas tem algum tipo de ritual de sorte ao voar.

A pesquisa feita com 1.894 passageiros revelou que o ato mais comum era tocar o exterior de um avião antes de embarcar, seguido pela recusa de sentar-se em certos números de assentos e a recitação de um mantra ou uma oração.

Este último é uma prática frequente nos voos operados pelas companhias aéreas muçulmanas. Há inclusive aplicativos que guiam os passageiros sobre qual direção orar em meio a um voo, assim garantem estar orando em direção à Meca.

Quais são os seus rituais antes de voar? Comenta aqui!