Publicação de Jana Kramer gera debate sobre o uso do termo "mãe solteira"

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Jana Kramer e seus filhos. Foto: Reprodução/Instagram @kramergirl
Jana Kramer e seus filhos. Foto: Reprodução/Instagram @kramergirl

Um post da cantora e atriz Jana Kramer, que acabou de terminar seu casamento, gerou discussões sobre o significado do termo "mãe solteira" e a quem ele se refere.

Na semana passada, Kramer, que pediu o divórcio do ex-jogador da NFL Mike Caussin em abril, fez um post no Instagram direcionado às pessoas que a criticavam por se referir a si mesma como mãe solteira. A ex-estrela de One Tree Hill e o ex têm dois filhos, Joie e Jace, de 5 e 2 anos de idade. Segundo um acordo recente, Kramer terá a guarda total das crianças e Caussin pagará uma pensão alimentícia mensal.

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Mas, como atualmente Kramer divide a guarda das crianças com Caussin, algumas pessoas acharam que ela não deveria usar um termo que normalmente descreve uma mulher que cria os filhos totalmente sozinha. Após as críticas, a mulher de 37 anos se defendeu, escrevendo: "As pessoas estavam me odiando porque eu disse que era mãe solteira. Parece que eu não tenho permissão para dizer isso. Estou solteira e sou mãe. Mas para ter mais argumentos, pesquisei a definição, e quer dizer uma mãe que tem mais de 50% da guarda dos filhos... Primeiro, conheçam a minha vida de mãe solteira, depois me julguem o quanto quiserem".

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A organização sem fins lucrativos Single Parent Support Network (SPSN, Rede de Apoio a Pais Solteiros em tradução livre) usa uma definição mais ampla de mãe/pai solteiro: "pai/mãe que não vive com o cônjuge ou parceiro e pode ter ou não a guarda dos filhos; viúva ou viúvo que cria os filhos; mãe/pai divorciado que cria os filhos; mãe ou pai biológico que cria os filhos; pai ou mãe solteiro adotivo que cria os filhos; pai/mãe cujo cônjuge está ausente por um longo período (ex: serviço militar ou encarceramento); pai/mãe cujo cônjuge está doente há um longo período; pai/mãe que nunca se casou; mulher que foi vítima de estupro; pai/mãe solteiro que escolheu a inseminação artificial como forma de conceber com barriga de aluguel".

Termos como "parentalidade solo", "coparentalidade" e "mães e pais solteiros por decisão própria" são cada vez mais usados, mas algumas pessoas acham que não é possível generalizar situações completamente diferentes. Uma mulher que cria um filho sem qualquer apoio está em uma situação diferente de uma mulher divorciada que divide a guarda com o ex, embora cada situação tenha os próprios desafios.

Dawn O. Braithwaite, professora de Estudos da Comunicação da Universidade de Nebraska-Lincoln, disse ao Yahoo Vida e Estilo que esses termos são uma forma importante de "nos ajudar a entender nosso lugar no mundo, como os outros nos veem e como vemos os outros". Sendo assim, Braithwaite, cuja pesquisa se concentra na comunicação dentro do ambiente familiar, incluindo a coparentalidade, sugere ter cautela ao escolher um termo, principalmente ao se referir a outro pai ou mãe.

"O termo 'mãe solteira' ou 'pai solteiro' sugere que não há outra pessoa desempenhando esse papel", diz ela. "Pode ser o caso, mas se houver qualquer outra figura parental ou a possibilidade da presença dessa pessoa no futuro, esse termo não parece tão correto e pode causar mal-entendidos".

Braithwaite acrescenta que "coparentalidade" é uma escolha popular, que incentiva a cooperação e permite alguma flexibilidade. Ela cita um exemplo: "Ray e eu praticamos a coparentalidade com nossos filhos e compartilhamos a guarda" ou "Ray e eu somos coparentais, mas as crianças moram comigo na maior parte do tempo. Portanto, sou mãe solo durante as semanas".

Rachel Pierce-Burnside, gerente de diversidade, igualdade e inclusão que mora no Texas e divide a guarda dos três filhos com o ex-marido, se considera "mãe solo e não casada, mas não mãe solteira".

"Para mim, ser solteira e mãe solteira não é a mesma coisa", explica ela. "Acredito no poder das palavras, e como meu ex-marido é um ótimo copai, prefiro não usar o termo 'mãe solteira'. Costumo me referir ao meu ex-marido como parceiro paternal, copai ou pai dos meus filhos, porque é isso que ele é".

"Sei que a definição de ser solteira e ser mãe é diferente para cada pessoa, portanto podem representar desafios distintos, no entanto, prefiro falar com propósito quando descrevo a natureza do meu relacionamento parental porque acredito que isso pode influenciar a dinâmica da nossa situação", ela acrescenta. "Quero que meus filhos cresçam sabendo que sempre terão pai e mãe muito presentes em suas vidas. Se algum de nós se casar novamente, minha esperança é que eles compreendam que não têm apenas dois pais, mas que também são amados por nossos parceiros".

É claro que nem toda criança tem pai e mãe presentes. Jane Mattes, que fundou a organização Single Mothers by Choice (SMC, Mães Solteiras por Opção em tradução livre) há 40 anos, disse ao Yahoo Vida e Estilo que o grupo teve dificuldades para encontrar uma boa definição, que transmitisse que são mulheres que decidiram ser mães solo desde o início, geralmente por meio de adoção ou inseminação.

"A verdadeira questão para nós era deixar claro que escolhemos ser mães solteiras, não estávamos saindo de uma crise, não éramos divorciadas", diz a diretora do SMC. "Naquela época, o termo 'mãe solteira' se referia a mulheres divorciadas, porque não havia outras mães solteiras, exceto adolescentes, e claramente não era o nosso caso. Mas acho que agora ficou muito mais claro para todos que ser mãe ou pai solteiros significa não dividir a guarda dos filhos com outra pessoa".

Em comparação com "mãe solteira", "mãe solteira por opção" tem uma definição muito mais restrita. Mas nem todas que se encaixam nessa definição acham o termo adequado, algumas preferem usar "mãe solo".

"A preferência é muito pessoal", observa Mattes. "Muitas pessoas realmente não querem ser chamadas de mães solteiras por opção, porque acham que quer dizer que elas não quiseram se casar e esse não é o ponto. Essas pessoas consideram que a palavra 'solo' é mais adequada".

Rachel Sklar, empresária e escritora que fala sobre a maternidade independente e se autodescreve como mãe solteira de uma filha de 6 anos, concorda que respeitar a preferência pessoal e dar liberdade às mulheres para se definirem é importante. "Analisar as distinções e limitar o termo 'mãe solteira' apenas para quem cuida dos filhos totalmente por conta própria pode causar mal-entendidos", afirma ela.

"Uma atividade solo é solitária, e é difícil", diz Sklar. O pai da filha dela participa da criação, mas mora longe. "A coparentalidade traz muitos outros desafios... Acho que não é fácil para ninguém. Existem muitas formas de parentalidade e também existem muitas formas de parentalidade solo".

"Fazer julgamentos automáticos sobre o papel de uma mãe na criação dos filhos não ajuda, principalmente porque os pais solteiros raramente são julgados da mesma forma", diz ela.

"Por que as mães devem provar que suas vidas são difíceis?", disse Sklar ao Yahoo Vida e Estilo. "Há mulheres que criam os filhos sozinhas e contam com recursos suficientes para se sustentar e se sentir à vontade, e há mulheres em casamentos estáveis que não têm esses recursos... Não é uma competição para saber quem enfrenta mais dificuldades".

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Esse sentimento é compartilhado por muitas fãs de Kramer.

"As mulheres que criam os filhos totalmente por conta própria merecem o meu respeito", escreveu uma das fãs da cantora em resposta ao post no Instagram. "Mas dizer que não sou mãe solteira porque não estou com meus filhos 100% do tempo? Sinceramente, por que queremos humilhar umas às outras? Por que não podemos nos apoiar ao longo de nossas jornadas, mesmo que sejam diferentes?"

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