Com mudanças na PF, Bolsonaro conseguiu o que queria. Menos explicar a razão da troca

Foto: Evaristo Sá/AFP (via Getty Images)

Jair Bolsonaro foi até o limite de uma crise institucional, mas conseguiu o que queria. Com a saída de Maurício Valeixo da direção-geral da Polícia Federal, o presidente removeu as peças que já ensaiava desde meados do ano passado.

Rolando de Souza não era o amigo dos filhos que o presidente queria para o posto, mas foi do amigo dos filhos a indicação.

Empossado na segunda-feira (4), o novo chefe da PF já mexeu numa área de interesse de Bolsonaro, conforme levantou Sergio Moro em seu pronunciamento de despedida do Ministério da Justiça. 

Se tudo sair como planejado, Carlos Henrique Oliveira cairá para cima.

Ele deixa o posto onde Bolsonaro queria colocar seu indicado para assumir, caso aceite o convite, o cargo de diretor-executivo da PF. Passaria, assim, a ser o número 2 da corporação.

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É no Rio, por exemplo, que são investigadas as movimentações suspeitas de Fabrício de Queiroz, ex-assessor da família acusado no esquema das rachadinhas.

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Nome preferido, e barrado por uma liminar do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, Alexandre Ramagem segue na chefia da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), onde trabalhava até ontem o novo chefe da PF.

As mudanças acontecem no momento em que Sergio Moro, agora inimigo declarado de Bolsonaro, afirma ter entregado “bastante coisa” em seu depoimento de quase oito horas na sede da PF em Curitiba, a meca da Lava Jato.

Ele acusa Bolsonaro de tentar interferir politicamente na PF.

As razões são desconhecidas, mas todos os caminhos levam até o gabinete do ódio supostamente montado nos porões do Palácio do Planalto.

Corre no STF, desde março de 2019, um inquérito para investigar a origem dos ataques contra integrantes da corte. Em setembro daquele ano, deputados e senadores criaram a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito das Fake News.

Um relatório da PF indica que o vereador do Rio Carlos Bolsonaro é o suposto cabeça por trás dos ataques e da fábrica de fake news. Segundo uma apuração da Folha de S.Paulo, não há dúvidas, na PF, de que os desdobramentos da investigação estão por trás do desejo do presidente de mudar agora, no auge da pandemia do coronavírus, o comando da corporação.

Um aperitivo do que está por vir foi apresentado por Sergio Moro ao Jornal Nacional. Em uma troca de mensagens, Bolsonaro compartilhou com ele uma notícia sobre investigações relacionadas a deputados de sua base e afirmou que este era mais um motivo para trocar a direção da PF. E os outros, quais seriam?

Após o depoimento de Moro à PF, a Procuradoria Geral da República solicitou que sejam ouvidos no inquérito os ministros Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo) e Braga Netto (Casa Civil), citados pelo ex-juiz como testemunhas das pressões de Bolsonaro pela demissão de Valeixo.

O constrangimento está armado.

Depois de tanta tensão, Bolsonaro conseguiu o que queria. O chefe das investigações no Rio, que podem ou não respingar nos filhos, será trocado.

O presidente conseguiu tudo, menos explicar a razão da troca. Nem a Sergio Moro, nem a mim, nem a você.

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