Mourão pede paz para Bolsonaro governar e diz: "se não funcionar, ele irá para o lixo da história"

Foto: AP Photo/Eraldo Peres

Diante do aumento da tensão popular no Brasil, o vice-presidente Hamilton Mourão defendeu, em entrevista ao Valor Econômico, a “alternância democrática” ao pedir um ambiente menos conturbado para que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) governe. Segundo o militar, o Brasil foi governado pela esquerda e pela centro esquerda, mas agora é a vez da direita e de parte da direita extremada.

"Isso é a alternância democrática. Deixa esse pacote passar. Se provar que funciona ele será eleito em 2022 e, se não funcionar, ele irá para o lixo da história. Deixa o cara governar!", pediu Mourão.

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Mourão criticou o clima de instabilidade vivido no país. Eduardo Bolsonaro, deputado federal e filho do presidente, falou em “ruptura” iminente ao criticar medidas tomadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) num inquérito que apura uma possível máquina de fake news.

“É assim que se processa no sistema democrático. Mas nós entramos em uma espiral tão grande no nosso país que se você olha dos cinco presidentes do período democrático, pós 64, dois sofreram impeachment, um está condenado duas vezes e os outros tiveram processos. É uma coisa de louco isso aí", avaliou.

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Questionado se não seria o próprio governo que vem causando grande parte da instabilidade, o vice-presidente disse não ver “só dessa forma”. Mourão lembrou escândalos de corrupção anteriores no país e criticou o que chamou de “protagonismo além dos limites” adotado, segundo ele, pelo Judiciário.

“Dizem que o STF diz a última palavra, mas ele está dizendo a primeira, muitas vezes", afirmou Mourão.

O vice-presidente não acredita em consequências graves para o aumento da tensão entre os Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) no Brasil. Para Mourão, trata-se de “retórica inflamada” apenas.

Augusto Heleno, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, chegou a falar em “consequências imprevisíveis para a estabilidade nacional” após decisão de Celso de Mello, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Mourão classificou a fala como “desabafo”.

Mourão também defendeu a aproximação de Bolsonaro com o centrão ao afirmar que o presidente está “entre a cruz e a espada".

Agora o presidente mudou a forma de se relacionar com o Congresso e está buscando formar uma base. Aí sentam o dedo em cima nele: ‘Ah! Você está se unindo com o Centrão’. Com quem ele vai se unir? Aí todos criticam. Você fica entre a cruz e a espada. Se não faz está errado e se faz está errado também. O que acontece, eu vejo, é que a relação entre Executivo e Legislativo vai se harmonizar. ‘Ah, mas vai ter cargos!’ Isso faz parte, sempre fez. Compete aos organismos de fiscalização cumprir seu papel e o ministro da área ficar em cima disso aí".

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