Já conhece a Whole 30, dieta da galera do CrossFit?

Foto: Getty Images

Por Natália Leão (@natileao_)

Quando você ouve a palavra CrossFit a imagem que vem à sua mente é a de corpos sarados, não é? Boa parte dessa fama - e desses corpos musculosos - se deve à rotina de treinos intensa seguida pelos praticantes da modalidade.

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Mas você sabia que boa parte do crossfiteiros também se rende a um programa de alimentação (teoricamente não se trata de uma dieta) bastante específico? É o Whole 30, programa foi inspirado na dieta paleolítica, que leva o organismo de volta praticamente às cavernas.

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“Durante um mês, o indivíduo elimina uma série de alimentos do cardápio, além de não poder fumar ou beber. Tudo que teria potencial inflamatório, alergênico ou causar intolerância alimentar é cortado”, explica a nutricionista Laís Murta.

Por que a galera do CrossFit ama?

“O CrossFit é um esporte onde se preza a boa alimentação, se fala muito em comer de forma natural, comida de verdade, com muita proteína no prato. E a Whole 30 tem esses pilares”, explica a nutricionista e atleta Giselle Santos. “Mas não é só isso. A dieta tem um caráter de desafio que atrai os atletas dessa modalidade, eles gostam de disputa e, por se tratar de 30 dias bastante desafiadores, com resultados visíveis quando cumprido à risca, chama a atenção. Eu já vi gente que perdeu 10 quilos em um mês e foi premiado no box”, completa.

Vamos às regras

A primeira e mais básica é comer o mais “limpo” possível, excluindo industrializados, processados, ultraprocessados e alergênicos. “Trata-se de uma mudança de estilo de vida, muito mais do que uma dieta. Por isso não é recomendado se pesar durante os 30 dias, uma vez que o emagrecimento não é o objetivo principal”, diz Laís. Durante um mês, o indivíduo elimina uma série de alimentos do cardápio, além de não poder fumar ou beber. A Whole 30 não propõe um número máximo de calorias ou uma quantidade pré-determinada de refeições. A ideia é comer quando a fome bate, de acordo com a lista de alimentos permitidos, e quanto mais natural for o prato, melhor.

Permitidos e proibidos

As nutricionistas explicam o que pode e deve estar no seu prato ao longo desses 30 dias: carnes, frutos do mar, ovos, vegetais, frutas em pequena quantidade (de preferencia as frutas vermelhas) e gorduras naturais (castanhas, abacate, azeite). Sucos de fruta naturais, sem açúcar também podem ser consumidos com moderação, além de vinagre, coco, abacate. As únicas fontes de carboidratos permitidas são as raízes como batata, beterraba e mandioquinha. Entre os proibidos, qualquer tipo de açúcar, entre eles o mel, chiclete, álcool, milho, trigo, arroz, quinoa, amaranto, aveia e outros grãos (pois todos são muito inflamatórios para o organismo). Amendoim, feijão e soja também estão proibidos, pelos mesmos motivos.

E vale a pena fazer?

As nutricionistas são cuidadosas ao indicar já que, como toda dieta que não é individualizada, por ter riscos. “Os pontos positivos da Whole 30 são que ela promove maior conscientização sobre alimentação saudável e propõe uma mudança de hábitos, reduz a ingestão de alimentos potencialmente inflamatórios que prejudicam a saúde, aumenta o consumo de nutrientes através de alimentos com alta densidade nutricional”, diz Laís.

Já os pontos negativos estão, principalmente, na falta de individualização. “Por não estabelecer quantidades nem números de refeições, pode induzir um consumo excessivo ou deficiente de nutrientes; o radicalismo pode gerar distúrbios emocionais como a ortorexia; por reduzir o convívio social, gerando estresse emocional, pode reduzir o rendimento esportivo e intelectual”, completa.

Gisella lembra ainda que, por excluir muitos alimentos do consumo diário, pode ser um programa difícil de seguir a médio e longo prazo. “A construção de bons hábitos não se faz em apenas 30 dias, especialmente se esse período traz muitas limitações. Enquanto algumas pessoas vêem resultados e levam os novos hábitos para a vida, outras conquistam o que queriam e logo voltam para suas rotinas alimentares inadequadas”, finaliza.