Isis Valverde amamentando: a prova de que mulheres ainda são sexualizadas

Marcela De Mingo
Isis Valverde (Foto: Instagram)
Isis Valverde (Foto: Instagram)

Até quando vamos sexualizar as mulheres? Depois do caso Mel Maia, no começo da semana, a bola da vez foi Isis Valverde, que publicou um clique com o bebê Rael em sua página no Instagram.

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A foto, em que ela aparece dando de mamar para o filho com um look bastante elegante, tem mais de 903 mil likes e 6 mil comentários até o momento em que esta nota foi redigida, mas não viralizou por conta do que ela demonstra, mas, sim, porque a atriz foi totalmente sexualizada.

Uma publicação brasileira usou a imagem da atriz para fazer uma chamada que não só engana o leitor, o chamado "caça-clique", como também deturpa a sua imagem. A chamada principal dizia: "Isis Valverde mostra os peitos em foto íntima e faz grande anúncio: hoje tem". A última parte do título faz alusão à legenda que a atriz escreveu para a foto, "hoje tem AMOR DE MÃE".

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Pelo Twitter, foram inúmeros os comentários que condenavam a chamada, que não só enganava como também deturpava a imagem de uma mulher, reforçando a ideia de objetificação sexual que é tão comum na nossa sociedade.

Tanto na imagem de Mel, que se mostrou uma forma dos homens e da própria mídia transformarem uma menina menor de idade em objeto sexual, como no caso de Isis, o resultado é o mesmo: uma visão completamente distorcida do papel da mulher e da mensagem que ela própria quer passar.

Em resposta à publicação, Isis até mesmo repostou no Instagram uma ilustração da imagem original, com a legenda: "Uma foto minha amamentando meu filho foi completamente deturpada. O que me deixa aliviada é que não nos calamos mais diante disso. Obrigada a todas as pessoas que apontaram o absurdo que é sexualizar este ato tão saudável e natural da amamentação. Sigamos", disse ela.

Falando especificamente sobre o ato de amamentar, não é de hoje que as mulheres são amplamente julgadas ao dar de mamar para os filhos, especialmente se estiverem em espaços públicos. Importante lembrar que o aleitamento é uma forma de alimentar um bebê, sendo que é impossível prever o momento que a criança vai sentir fome. Precisamos também reforçar que as mulheres são livres para fazer o que bem entendem com seus corpos, sem que isso seja uma ameaça ao seu bem-estar físico ou mental.

Aliás, segundo uma pesquisa da Lansinoh, 47% das mulheres afirmam que já foram criticadas ou julgadas por amamentarem seus filhos em ambientes públicos. O que isso mostra é apenas uma prova concreta de como o corpo feminino, em especial os seus peitos, são sexualizados.

É simples: basta pensar em como homens podem andar sem camisa na rua e as mulheres não. Por quê? O que, realmente diferencia um homem de uma mulher? Qual é a justificativa que diz que as mulheres não podem deixar o corpo à mostra, enquanto os homens podem fazê-lo sem sofrerem qualquer tipo de consequência ou retaliação?

Outra forma em que isso fica palpável é observando as políticas de imagens nas redes sociais. No Instagram, por exemplo, fotos que mostrem seios femininos de forma explícita costumam ser banidas ou denunciadas na rede. Não à toa, a conta Genderless Nipple foi consideradas uma das mais polêmicas do ano, justamente por questionar essas políticas publicando imagens em close de mamilos, tornando impossível identificar o gênero.

Em relação à amamentação, a situação é tão complicada que, este ano, o Senado aprovou uma lei, em regime de urgência, para penalizar com multa, a violação ao direito de amamentação das mães. Uma parte natural do processo de ser mãe e ter um filho - e pelo qual boa parte dos seres humanos do mundo inteiro passou -, é deturpada por uma ideia que, vamos combinar, já é démodé.

Desde então, o veículo publicou uma nota com um pedido de desculpas, mas já era tarde demais: foi-se o tempo em que publicar chamadas sensacionalistas e difamatórias sobre mulheres passa despercebido na internet.