Isaac Silva encerra SPFW com festa LGBTQIA+ e show de drag queens lendárias

***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 19.12.2019 - O estilista Isaac Silva durante a festa
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 19.12.2019 - O estilista Isaac Silva durante a festa

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - As últimas horas do sábado (4) reservaram à 53ª São Paulo Fashion Week um encerramento como há muito não se via. Numa edição que escancarou a tensão política do país, o estilista baiano Isaac Silva levou ao Komplexo Tempo, na zona leste, um desfile de drag queens, transexuais e travestis em torno de uma coleção que homenageou Marcia Pantera.

Ícone da noite gay paulistana dos anos 1990, ela iniciou a apresentação com uma performance potente em que dublou hits de boate e, em seguida, abriu caminho para várias artistas que fazem shows pelas casas de São Paulo, entre elas Silvetty Montilla e Bianca Della Fancy.

Ao fundo, a bandeira do Orgulho LGBTQIA+, comemorado neste mês de junho, flamejava nos telões instalados no galpão que recebeu a semana de moda.

A performance era apenas o primeiro ato do desfile Panterona do Brasil, que, além de reverenciar Marcia Pantera, fez paralelo com o movimento dos Panteras Negras e à primeira mulher-gato negra da TV, a atriz Eartha Kitt (1927-2008).

Paulatinamente, nomes importantes do movimento negro nacional e da pauta pelos direitos da comunidade LGBTQIA+, como a cantora Majur, a vereadora Erika Hilton, a modelo Rita Carrera, a diretora do Instituto Identidades do Brasil, Luana Génot, e a ex-BBB e médica Thelma Assis, entraram no espaço da passarela vestidas com a moda pop de Silva.

Ele retirou da imagem da pantera as estampas que forraram looks de inspiração urbana, vestidos amplos adaptáveis para qualquer biótipo e uma série de roupas com brilho prateado para refletir a luz das pistas de dança.

Várias peças da coleção foram produzidas com fios naturais, como linho, algodão e cânhamo, essa última uma fibra retirada da espécie Cannabis sativa e fiada pela tecelagem Vicunha, um recado de Silva para a produção de uma moda mais sustentável.

O final da apresentação foi uma espécie de grande celebração contra o preconceito, unindo todas essas pautas sob a mesma bandeira, estendida pelos modelos e pelas celebridades que desfilaram ali para dar o último passo dessa temporada enxuta, mas cheia de momentos de representatividade.

Antes do estilista apresentar a coleção, outra grife baiana, a Ateliê Mão de Mãe, exibiu um trabalho minucioso de crochetaria para vitrines de luxo, provando que há mais moda acontecendo fora das arestas do eixo Rio-São Paulo do que se supõe

Patrick Fontoura e Vinicius Santana ampliaram o repertório de sua grife, aplicando a seda ao trabalho manual de crochê e lançando peças de tweed que, no conjunto, retiram da coleção a imagem excessivamente artesanal.

A dupla à frente da marca, um dos destaques da plataforma de aceleração para etiquetas nordestinas, a Nordestesse, olhou para o trabalho da comunidade de artesãos de Maragogipinho, no Recôncavo Baiano. De lá, tirou também a cartela de tons terrosos e a paleta do céu em diferentes fases do dia.

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