Irmã Dulce: fatos e curiosidades da vida da primeira brasileira a se tornar santa

Irmã Dulce Pontes será a primeira santa brasileira (Godong/Universal Images Group via Getty Images)

A baiana Maria Rita de Sousa Brito Lopes Pontes, conhecida como Irmã Dulce, será canonizada pela Igreja Católica em Roma, pelo Papa Francisco, no dia 13 de outubro. Pelo processo de canonização, Irmã Dulce é declarada santa – no caso, ela é a primeira mulher nascida no Brasil a se tornar santa.

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Nascida em 1914 em Salvador, dedicou sua vida a cuidar dos mais necessitados da capital baiana até o ano de sua morte, em 1992. Depois de um longo processo no Vaticano, ela teve seu segundo milagre reconhecido em maio deste ano (a cura de um paciente cego), o que configurou a canonização. Mas sua trajetória foi cheia de percalços e acontecimentos dos mais variados possíveis. Veja alguns fatos e curiosidades sobre a vida de Irmã Dulce:

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Indicada ao Nobel da Paz

Em 1988, Irmã Dulce foi indicada ao prêmio Nobel da Paz pelo então presidente do Brasil, José Sarney. A Rainha Sílvia, da Suécia, que é brasileira, também apoiou a candidatura, mas ela não foi a vencedora. Mas o fato foi positivo para seu trabalho ganhar reconhecimento internacional.

Transformou galinheiro em hospital

A religiosa sempre trabalhou para as comunidades carentes que precisavam de ajuda, especialmente atuando junto aos doentes, com seu maior legado: as Obras Sociais Irmã Dulce, que realizam 3,5 milhões de procedimentos de saúde por ano. Ela, inclusive, ajudou a criar várias instituições, como o Hospital Santo Antônio, que foi construído no local onde era o galinheiro do Convento Santo Antônio. Em 1949, a religiosa não tinha espaço para abrigar 70 doentes e pediu a sua superiora para levá-los ao galinheiro. Aos poucos, o espaço foi sendo ocupado até se tornar um dos principais hospitais de Salvador.

Defendeu os direitos dos operários

Em 1937, com apenas 23 anos, Irmã Dulce fundou, com Frei Hildebrando Kruthanp, o Círculo Operário da Bahia, mantido com a arrecadação de três cinemas que dupla tinha construído com doações e que tinha como finalidade a difusão das cooperativas, a promoção cultural e social dos operários e a defesa dos seus direitos trabalhistas. Anos depois ela fundou uma escola para os operários e seus filhos, o Colégio Santo Antônio.

Contestou o presidente

No final dos anos 1970, já realizando um amplo trabalho assistencial, começou a ter reconhecimento nacional por suas obras. O então presidente do final da Ditadura Militar, João Figueiredo, viu a precariedade do Hospital Santo Antônio quando fez uma visita ao local em 1979 e prometeu ajuda. Cerca de 2 anos depois, o hospital não recebeu nenhum auxílio. Ela então não se intimidou em fazer uma cobrança quando se encontrou novamente com o general-presidente e disse: “Já falei com Santo Antônio e ele me disse que o senhor só entra lá no céu se nos ajudar na construção de um novo hospital”. Figueiredo respondeu dizendo que ajudaria, nem que tivesse que roubar um banco, e a religiosa logo contestou: “Pois o senhor me avise, que vou com o senhor”

Irmã Dulce será canonizada pelo Papa Francisco (Godong/Universal Images Group via Getty Images)

Nome da mãe e futebol do pai

Apesar de ter como nome de batismo Maria Rita, quando entrou na vida religiosa a jovem escolheu o nome Irmã “Dulce”, em homenagem à sua mãe: Dulce Maria – que faleceu de hemorragia de parto de um filho, quando a menina Maria Rita tinha apenas 7 anos. Por conta do ocorrido, o pai dela se tornou mais presente e para unir a família, levava os cinco filhos todos os domingos ao Campo da Graça, tradição que fez Irmã Dulce se tornar pra sempre torcedora do Ypiranga.

O respeito do Papa João Paulo II

Irmã Dulce admirava muito o Papa João Paulo II, tanto que na primeira vez que o pontífice esteve no Brasil em 1980, mesmo ela já estando com problemas pulmonares, foi à missa campal que ele realizou em Salvador em um dia de chuva e vento e ainda foi chamada ao altar para receber uma bênção especial do Papa. Em 1991, quando João Paulo II voltou a Salvador, ele foi visitá-la no Convento Santo Antônio, porque ela já estava muito debilitada, em um quarto adaptado como uma UTI. Ele segurou a mão da religiosa, que o reconheceu. Mas ela faleceu cinco meses depois da visita.