Investir no exterior: por que e quando adotar essa estratégia?


Investir em outros países, como nos Estados Unidos, permite diversificar o portfólio (Getty Images)

Eu já destaquei aqui a importância da diversificação quando o assunto é investimento. Acontece que a diversificação que leva em conta a variação apenas de tipos de ativos ou setores da economia não é a única forma de garantir bons resultados em um portfólio como um todo. É muito importante que o investidor também leve em conta o fator geográfico na hora de montar sua carteira. Em uma economia globalizada como a que vivemos atualmente, esse comportamento só é possível por meio do investimento em ativos no exterior.

Uma vantagem de se investir no exterior acontece pelo lado do retorno dos investimentos. Em um momento de alta do dólar, como o que vivemos atualmente, vários produtos têm seus preços elevados por influência da moeda. No entanto, o patrimônio do investidor não é corrigido na mesma proporção e ele pode ter aumento nas suas despesas pessoais, dependendo dos itens que consuma.

Porém, quando se faz investimentos no exterior, esse efeito é minimizado. Isso porque a estratégia permite a exposição do patrimônio a outras economias, o que reduz o impacto de eventos econômicos locais no portfólio de ativos. Significa menos volatilidade e uma carteira mais equilibrada.

Outro ponto importante porque eu defendo tanto o investimento no exterior está no amplo cardápio global de ativos disponíveis que você terá acesso para além da bolsa brasileira. Enquanto o Brasil possui pouco mais de 300 empresas de capital aberto listadas na bolsa de valores de São Paulo (B3), os Estados Unidos dispõe de mais de 5000 companhias em suas bolsas. Isso inclui empresas de outros continentes e de setores que nem existem por aqui.

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Tomemos como exemplo as ações do Google. Conseguimos pensar alguma empresa brasileira neste ramo específico de atuação? Eu não vejo nenhuma com essa peculiaridade. As bolsas estrangeiras darão acesso a essa e outras grandes empresas de qualidade.

Além disso, investir no exterior dá a oportunidade de aplicar em marcas amplamente conhecidas que possuem distribuição global. Nike, McDonald's, Apple, Disney são alguns exemplos de companhias presentes no nosso dia a dia. Não que não existam empresas de qualidade no País, mas a atuação da maioria delas tem impacto mais concentrado no mercado local.

Existem três formas principais de investir no exterior que gostaria de abordar:

1 - Fundos de investimento no exterior

Investir em fundos que possuem ativos fora do País em sua carteira também é uma forma de se investir no exterior. Nesse caso, a gestora de investimentos é responsável por adquirir ativos para o fundo, lidando com a burocracia e fazendo a gestão da carteira. É uma forma mais cômoda e que envolve menos custos. No entanto, é preciso ter cuidado na avaliação, observando principalmente as taxas de administração cobradas.

2 - Exchange Traded Funds (ETFs) de ações internacionais

Os ETFs são produtos negociados na bolsa que concentram um conjunto de ações em um mesmo ativo. Com ele, é possível comprar cotas de fundos como se fossem ações. Na bolsa de valores brasileira, existem dois tipos de ETFs para investimento em ações no exterior: iShares S&P 500 (IVVB11) e It Now S&P 500 (SPXI11). Ambos reproduzem os índices de ações S&P 500, que apresentam as 500 maiores empresas listadas na Bolsa de Nova York (NYSE). Esse meio, no entanto, ainda não é acessível, visto que os ETFs estão disponíveis apenas para investidores qualificados, ou seja, que possuem mais de R$1 milhão em patrimônio ou serviço de gestão de carteiras.

3 - Conta em bancos ou corretoras no exterior

A forma mais direta de investir fora é abrir uma conta em um corretora de valores ou uma instituição financeira habilitada em outro país no qual se queira investir. A partir daí, o investidor faz transferências dos valores para estas empresas financeiras. Para essa modalidade é importante observar a regulamentação. Isso pois quem aplica mais de US$ 100.000 deve comunicar ao Banco Central, anualmente, seus rendimentos.

Apesar do brasileiro encontrar opções atrativas na bolsa brasileira, investir no exterior é uma opção bem interessante que deve ser levada em conta. Foi-se o tempo em que as burocracias afastavam os investidores de comprar ativos internacionais. Antes de optar por essa alternativa, no entanto, é importante se informar para fazer o processo de forma legal e segura, aproveitando ao máximo as oportunidades que o mercado exterior pode agregar.