Investigado em esquema de 'rachadinha', Queiroz está há 40 dias sem advogado

Reprodução/SBT

RESUMO DA NOTÍCIA

  • Ex-assessor de Flávio Bolsonaro está sem advogado constituído nos autos ao menos desde mandado de busca e apreensão em dezembro.

  • Uma das hipóteses aventadas é que, por alguma razão, Queiroz tenha ficado sem dinheiro para pagar sua defesa.

Uma das grandes incógnitas sobre Fabrício Queiroz é por que o ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (PSC-RJ), o filho ‘02’ do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), está há 40 dias sem advogado constituído nos autos.

A informação foi divulgada pelo blog do jornalista Guilherme Amado, da revista Época, segundo o qual o advogado do ex-assessor deixou a defesa dele no dia da operação de busca e apreensão contra Queiroz.

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O blog apurou que uma das hipóteses aventadas é que, por alguma razão, Queiroz tenha ficado sem dinheiro para pagar sua defesa.

Os mandados de busca e apreensão contra Queiroz foram cumpridos em 18 de dezembro do ano passado pelo MP-RJ. Além de Queiroz, foram alvos endereços ligados a Flávio Bolsonaro e a parentes da ex-mulher do presidente Jair Bolsonaro. A investigação é de lavagem e desvio de dinheiro no gabinete de Flávio Bolsonaro, quando era deputado estadual.

À época, reportagem do Jornal Nacional, na TV Globo, revelou que integrantes do grupo de combate à corrupção do Ministério Público cumpriram mandados de busca no Rio e em Resende, no sul do estado. Lá fizeram buscas e apreensões em endereços de nove parentes de Ana Cristina Siqueira Vale, ex-mulher do presidente Jair Bolsonaro. Entre eles, Guilherme Henrique dos Santos Hudson, casado com a tia de Ana Cristina.

O MP fez buscas ainda em uma loja de chocolates em um shopping da Barra da Tijuca da qual Flávio Bolsonaro é um dos donos. Como a loja ainda estava fechada quando os agentes chegaram, a porta teve de ser arrombada.

As buscas e apreensões em 24 endereços aconteceram após quase dois anos do início da investigação sobre a suspeita de que assessores devolviam parte dos salários ao gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro -- prática conhecida como rachadinha. É a primeira operação depois que o Supremo Tribunal Federal autorizou o compartilhamento, mesmo sem autorização da Justiça, de dados do Coaf e da Receita com o Ministério Público.

Um relatório do Coaf em janeiro de 2018 apontou movimentações financeiras suspeitas de R$ 1,2 milhão na conta de Fabrício Queiroz. O ex-assessor de Flávio Bolsonaro se tornou o principal nome de uma investigação que tem como alvos o próprio senador e outras 96 pessoas físicas e jurídicas, que tiveram o sigilo bancário e fiscal quebrados.