Investigado por crimes sexuais, Saul Klein passará por exame psicológico

Colaboradores Yahoo Notícias
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O empresário Saul Klein, 66 anos, terá de se submeter a uma perícia psicológica por decisão da Justiça de São Paulo. Filho de Samuel Klein, fundador das Casas Bahia, ele é investigado por manter uma “mansão de torturas sexuais”, segundo relatos de 14 mulheres que o acusam de estupro, aliciamento e outros crimes.

De acordo com o portal o UOL, a ordem para a realização do exame foi dada pela juíza Daniela Leal em um processo movido por Philip Klein, filho do empresário, que pediu a interdição do pai alegando que ele está dilapidando seu patrimônio de forma “acelerada” e “inconsequente”. Philip afirma que Saul possuía uma fortuna de mais de R$ 1,5 bilhão, porém declarou à Justiça Eleitoral, quando se candidatou a vice-prefeito em São Caetano do Sul (SP), somente R$ 61 milhões.

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“Isto sugere que ele gastou R$ 1,4 bilhão” nos últimos anos, disse Philip à Justiça, afirmando que o pedido de interdição é uma medida necessária para evitar que o pai vá à ruína. Ele ainda disse que o pai tem “jogado dinheiro fora”, “doando vultuosos valores” ao time de futebol São Caetano: “Ele deve ser interditado como uma medida de proteção aos seus próprios interesses”.

O processo corre em inquérito policial aberto na Delegacia de Defesa da Mulher de Barueri, e foi revelado por reportagem da Folha de S.Paulo. A defesa de Klein nega, e rebate as acusações. Segundo o advogado do acusado, a verdade é que Klein seria o “rei” dos “sugar daddies” – expressão usada para se referir a um homem mais velho que, sob consentimento de mulheres mais jovens, as sustentam financeiramente.

“Ele era o ‘daddy’ de todos os ‘daddies’, do qual todas as ‘babies’ gostariam de ser ‘babies’”, disse à Folha o advogado André Boiani e Azevedo, que representa Klein. “O sr. Saul Klein vem sendo vítima de um grupo organizado que se uniu com o único objetivo de enriquecer ilicitamente às custas dele, através da realização de ameaças e da apresentação de acusações falsas em âmbito judicial, policial e midiático.”

Os relatos de 14 mulheres contam uma história diferente.

“Segundo constou do requerimento, todas as mulheres acima foram vítimas de aliciamento sexual”, diz o despacho da Justiça obtido pela Folha. “Eram procuradas por aliciadores em redes sociais e outros canais, informadas falsamente de que havia interesse na contratação delas por parte de uma empresa e conduzidas a uma apresentação, a título de teste, para o requerido Saul.”

Os relatos detalham esses supostos eventos de tortura sexual na mansão de Klein, vigiados com seguranças armados:

“Nesses eventos, que podiam contar com 15 a 30 moças, elas tinham que exibir o tempo todo de biquíni e submeter-se a atividades sexuais com o requerido Saul, inclusive de modo humilhante e a contragosto. Também podiam ter que ingerir droga, permanecer trancadas em um quarto por um dia inteiro e aceitar se submeter a consultas com médicos ginecologista e cirurgião plástico, respectivamente, para cuidar das persistentes e reiteradas doenças sexualmente transmissíveis que as acometiam e de outras enfermidades que apresentaram, bem como receber aplicações de botox ou outros tratamentos destinados a prepará-las para as sessões com o requerido Saul.”

Após a divulgação da história pela Folha, a Via Varejo, que atualmente controla as Casas Bahia, emitiu nota informando que Saul “nunca possuiu qualquer vínculo ou relacionamento com a companhia”.