Investigada por ataque racista à Eddy Jr. diz que estava sob efeito de medicamentos

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um mês após aparecer em imagens nas quais realiza ataques racistas contra o humorista e músico Eddy Junior, 27, a aposentada Elisabeth Morrone, 69, foi à Decradi (Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância).

Na unidade policial, uma petição foi entregue, alegando que ela chamou a vítima de macaco, além de outras ofensas, por estar "sob efeito de medicamentos".

Segundo o DHPP (Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa), a aposentada foi à delegacia especializada no último dia 18, acompanhada do advogado Fermison Guzman Moreira Heredia, que assina a petição entregue à polícia. Morrone "preferiu não se manifestar" sobre o caso à Polícia Civil.

O advogado dela também afirmou à Folha de S.Paulo, nesta terça-feira (22), que está se manifestando somente nos autos do processo, que tramita em segredo de Justiça. Procurada um dia após os registros das ofensas, a aposentada disse que a vida privada "é inviolável" e bloqueou o número da reportagem.

O caso aconteceu na Barra Funda, zona oeste de São Paulo, e ganhou repercussão em outubro. O artista divulgou em suas redes sociais vídeos que mostram Morrone chamando-o de macaco. Ela também se negou a entrar no elevador ao lado dele.

A SSP (Secretaria da Segurança Pública) afirmou nesta terça que laudos periciais, sobre a análise dos vídeos em que a idosa aparece ofendendo Eddy, já foram concluídos e são analisados pela polícia. "Outras diligências estão em andamento para esclarecer todas as circunstâncias dos fatos", acrescentou a pasta, sem dar mais detalhes.

A pedido da polícia, a Justiça determinou que Morrone não se aproxime, nem mantenha qualquer tipo de contato com o artista.

Devido ao episódio, a aposentada foi multada em R$ 4.500 e corre o risco de ser expulsa do condomínio. Cerca de 150 moradores onde ela e Eddy moram votaram pela expulsão da idosa.

Representantes jurídicos aguardam a votação de outros condôminos para providenciar as medidas legais. Especialista consultado pela Folha de S.Paulo diz que uma expulsão desse tipo é possível, apesar de não estar expressa em lei.

Além disso, Morrone passou a ser investigada pelo governo paulista por violar a lei estadual que prevê punição administrativa em casos de discriminação racial. Se considerada culpada, ela poderá ser multada em até R$ 95 mil.

Eddy e a aposentada saíram temporariamente do condomínio, logo após a repercussão do caso. Eles retornaram ao local no início deste mês.

Mesmo com a Justiça determinando que Morrone e o filho dela não se aproximem dele nem mantenham contato com o artista, podendo ser presos caso descumpram a decisão, Eddy não se sente tranquilo para circular pelo condomínio, segundo sua assessoria de imprensa.

Ele, conta a assessoria, evita ficar rodando no prédio para não encontrar com ela e está fazendo terapia e acompanhamento psicológico devido a crises de ansiedade.

Na noite de 19 de outubro, Eddy registrou um boletim de ocorrência de injúria racial e racismo na Decradi.

Em seu depoimento, ele afirmou que, na madrugada anterior, desceu para passear com sua cachorra e, ao sair do elevador, deparou-se com Morrone, que começou a ofendê-lo.

Segundo o registro do boletim de ocorrência, ela disse: "Seu neguinho, urubu, seu demônio preto, vagabundo, seu macaco, bandido, ladrão, você está me seguindo". Parte das ofensas foi gravada pelo humorista em vídeo.

A moradora já vinha acusando o vizinho de invadir o apartamento dela e roubar objetos. Essas denúncias, porém, foram desmentidas pelo condomínio, segundo o advogado Diego Basse.

A perseguição a Eddy começou em abril, de acordo com o artista. Ele chegou a registrar um boletim de ocorrência contra a aposentada e o filho dela em 7 de setembro. No documento, relatou ter sido ameaçado por ambos.

O humorista também compartilhou nas redes sociais gravações de uma pessoa que ameaça matá-lo -de acordo com ele, a voz que aparece no arquivo é do filho da vizinha.

Em 2 de setembro, o síndico do condomínio registrou outro boletim de ocorrência, no 23º DP (Perdizes), no qual afirma que o filho de Morrone teria ameaçado Eddy de morte com uma faca. O episódio foi registrado por câmeras de monitoramento.