"Invencível" chama atenção pelo sangue, mas brilha pelas relações entre personagens

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A série
A série "Invencível" da Amazon Prime (Foto: Reprodução/Amazon Prime)

"Invencível" é mais uma daquelas séries que você vai ouvir falar, provavelmente, porque é muito violenta, espalha sangue em muitas cenas e se inspira em milhares de histórias de heróis da DC e Marvel. Ela é tudo isso, sem dúvida, mas vai além. Na verdade, a parte da violência e do exagero estético é só um chamariz que o escritor Robert Kirkman, criador de "The Walking Dead", usa para atrair audiência - e não há nada de errado nisso, pois há valor da narrativa e toda história da série.

A animação, disponível no Prime Vídeo, se inspira nos quadrinhos lançados nos anos 2000 e segue a trajetória do Omni Man, um herói estilo Superman que treina seu filho para virar o novo super-poderoso da Terra. 

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No meio disso, acompanhamos o surgimento de vários vilões e muita pancadaria, mas o foco é mesmo o relacionamento entre pai, filho e os dilemas adolescentes de um garoto herói no ensino médio. Basicamente, uma mistura de Superman com Homem-Aranha com uma mão de tinta de sangue bem orquestrada pela dublagem impecável de um elenco de primeira qualidade.

Assim como fez com zumbis em The Walking Dead, Robert Kirkman usa os elementos do gênero para expandir uma mitologia própria, deixa os pilares tradicionais como paisagem e foca realmente na construção dos relacionamentos entre personagens.

A série faz isso com perfeição, quase mantendo os poderes e origens dos heróis como pura paisagem, faz a violência ser um elemento de desastre na jornada e, mesmo que exagere em alguns momentos, sai incólume da gratuidade de outras obras que enxergam no sangue o batismo da vida adulta. No fundo, Invencível é adolescente como um Homem-Aranha justamente por se entender como um quadrinho de super-herói sobre problemas familiares atribuídos a uma audiência mais jovem.

Entre as cenas de ação ao estilo de animes como Dragon Ball e a brutalidade de quadrinhos como Preacher, Invencível acha seu lugar neste novo mundo de heróis no descompromisso com a revisão do que é ser um ser superpoderoso. As discussões políticas e sociais de obras como Watchmen e The Boys são deixadas em segundo plano para que a jornada familiar seja o centro das atenções, que é exatamente onde a animação se torna uma ótima surpresa para quem gosta de um gênero cada vez mais desgastado.

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