Clássico no Beira-Rio mostra que tem boa bola ainda no BR-20

Mauro Beting
·4 minuto de leitura
Jorge Sampaoli - FOTO Pedro Vilela/Getty Images
Jorge Sampaoli - FOTO Pedro Vilela/Getty Images

Muitos jogos no Brasileirão não merecem a citação ou terem sido vistos.

Mas partidas como Internacional 2 x 2 Flamengo (o melhor jogo disparado no Brasil na temporada) merecem todos os elogios, encômios e a encomenda esperada entre líder e vice antes de a bola rolar no belíssimo Beira-Rio que merecia o público que não pôde ir ao estádio.

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Foram em 2020 os 10 melhores minutos colorados os iniciais em Porto Alegre (e foram os 10 finais usuais doloridos...). Para não dizer que foi a melhor primeira etapa (e também a segunda) do BR-20 - o que não é difícil... Mas é complicado fazer o que fez contra um desatento Flamengo: com 1min Abel só não fez um gol sozinho por cabecear pior que a falha da dupla de zaga carioca. No minuto seguinte, o excelente Neneca fez mais um milagre na ótima chegada do não menos Heitor. Aos 6 enfim saiu o gol merecido, em falha gritante de Isla nessa infeliz mania de querer sair jogando desde a área TODAS as vezes.

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O Flamengo achou o empate aos 10, quando Pedro mostrou a excelência de seu jogo ao bater de fora da área como se estivesse sozinho na área. Virtude de grandes artilheiros como ele, que fazem fáceis lances muito complicados.

O problema é que o time de Dome, ou o tipo do treinador, gostam algumas vezes de dificultar o que pode ser mais simples. Embora Vitinho venha atuando bem, melhor ele pelo lado, com o cada vez melhor Gerson por dentro (como enfim fez na segunda etapa). Ainda mais em um meio-campo aberto como esteve diante da grande partida gaúcha, premiada com o segundo gol de Galhardo, em outra falha na saída de bola do Flamengo (Gustavo Henrique), potencializada pela ótima pressão do Inter no recomeço de jogo rival.

Galhardo ainda seria fominha aos 32, quando poderia ter servido o incansável Edenilson solto na área. Mas fez um golaço de lamber os beiços por cobertura, aos 41, só que estava em posição de impedimento.

No segundo tempo, o Flamengo veio pra cima, mas a primeira grande chance foi a bola que Marcos Guilherme mandou na trave de Neneca, aos 4. Pedro, sempre ele, respondeu num belo voleio aos 6. Filipe Luís também mandou a dele no travessão, aos 12. Em um jogo lá e cá que dificilmente temos visto por estas canchas.

(E que não precisam apenas duas das melhores equipes jogarem buscando jogo. Tem como times menos qualificados e com menos quantidade de bons valores jogarem mais - desde que tenhamos a paciência que não costumamos ter com nossos treinadores. Bons ou não).

O Inter sofreu muito com a pressão rubro-negra até o final. Coudet tentou a travar com Dourado como segundo volante ao lado de Lindoso, trocando o caro 4-1-3-2 por um usual 4-2-3-1, abrindo Edenilson para acompanhar Filipe Luís na parceria com Vitinho, com Dale por dentro mais avançado, e Galhardo compondo mais o meio. E foi feliz.

O Flamengo seguiu em cima, esquecendo o cansaço das semanas cheias (embora Dome absurdamente só tenha mexido na equipe aos 42), contra um Inter também esfacelado pelo duro compromisso e mais a viagem ao Chile na última quinta.

Ao final das contas, o Flamengo até criou mais chances (7 x 11, também por correr atrás do placar adverso). O Inter merecia melhor sorte e acabou sofrendo outro gol no fim, aos 49. Mas muito pelo Flamengo ter ido buscar o empate com gosto de goleada carioca.

ATLÉTICO MINEIRO 0 X 0 SPORT

Na noite de sábado, para embalar como John Travolta e dormir na ponta do BR-20 (como na grande campanha daquele 1977 de lançamento de "Saturday Night Fever"), o Atlético Mineiro precisava vencer o Sport em casa - ainda que o fator casa agora não seja tão preponderante por motivos óbvios e lamentáveis em todos os sentidos.

Pelos números, pelo scout, não haveria dúvida do resultado final: 76% da posse de bola para o Galo, e outros 24% que mais pareciam ter ficado com os gandulas do que com o recuado time de Jair Ventura (que vinha de 4 derrotas seguidas no Brasileirão). Essa posse absurda (que realmente nem sempre significa o número mais importante no futebol que é o placar do jogo) originou enormes 25 finalizações alvinegras e apenas 3 rubro-negras.

Porém, a ótima atuação do goleiro Luan Polli, e a pontaria infeliz do time mineiro mantiveram o placar no frustrante empate sem gols.

Muito pouco pelas necessidades atleticanas. Porém infelizmente natural para um futebol onde poucas equipes jogam realmente bem como costuma atuar o time de Sampaoli. Mas nem sempre dá jogo ou o placar esperado.

Sorte (e algum mérito) do Sport. Azar do futebol.

Essas coisas acontecem sempre. E têm acontecido demais no futebol brasileiro.

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