Entenda porque o Instagram (e a casa das pessoas) está virando o paraíso das plantas

Marcela De Mingo
·7 minuto de leitura

Um scroll despretensioso pelo Instagram e você verá, pelo menos, cinco fotos de salas de estar repletas de plantas. Parece que, durante a quarentena de coronavírus, as pessoas encontraram um novo carinho pelo verde - se não podemos vê-lo fora de casa, ao vivo, que o tragamos para dentro. A boa notícia é que ter plantas em casa não só fica bonito para as fotos, mas também traz uma série de benefícios para o bem-estar pessoal de cada um.

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Talvez nunca tivéssemos parado para pensar na importância do verde, da presença e da proximidade com a natureza, e em um país que pouco valoriza suas belezas naturais - vide o aumento do desmatamento na Amazônia ou a carência de parques e praças nas grandes cidades -, parece que essa falta ficou ainda mais latente.

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"As plantas trazem vida para os espaços antropizados. É como se a gente lembrasse que viemos da natureza, nós mesmos, os seres humanos", explica Matheus Bichara, arquiteto urbanista e paisagista. "Existem estudos que provam que as plantas de interior (aquelas que cultivamos dentro de casa) podem purificar o ar, mas acredito que o efeito psicológico de bem-estar é a maior vantagem."

Segundo ele, que também trabalha na empresa da família, a Cafezal em Flor Café Especial, de turismo e cafés especiais em Monte Alegre, a duas horas da capital de São Paulo, até mesmo cultivar pequenas hortas é apontado como uma forma de termos mais resiliência em combater a escassez de alimentos e manter uma nutrição adequada.

"Essa é a chamada 'inversão da paisagem', a percepção que temos agora de que as áreas verdes são pequenos pontos dentro da cidade e não mais que a cidade está inserida na paisagem ao seu redor", continua ele.

Não é à toa, então, que o feed das redes sociais parece ter virado a própria floresta interna. Confinados em casa, começamos a repensar nossos espaços e o seu nível de conforto, e tivemos que rever também a nossa relação com esse ambiente, que agora virou o único espaço em que transitamos sem preocupações.

"Quando cuidamos de uma planta, estamos cuidando de um ser vivo como nós, um pedaço do planeta. Acho altamente recomendável, quanto mais melhor! Se for de uma floresta inteira então, melhor ainda!", brinca ele. "Ter plantas em casa realmente pode fazer a diferença para termos um ambiente saudável, mas esse cuidado começa com nós mesmos, ao percebermos o quanto estamos conectados ao nosso meio-ambiente."

O autocuidado, inclusive, é outro tema comum no feed do Instagram nos tempos recentes, mas, principalmente, fora dele. Aprender a cuidar de si de uma forma efetiva, que garanta a manutenção da nossa saúde mental, diminuindo os níveis de ansiedade e estresse, se mostrou fundamental em um período de tanta instabilidade e insegurança. Buscar exercer primeiro esse cuidado com nós mesmos e estendê-los ao nosso ambiente se tornou, então, quase uma necessidade básica.

O cuidado, segundo Matheus, gera uma visão sistêmica da nossa relação com o verde. Cuidar do nosso lixo, inclusive evitando gerá-lo em excesso, e reciclar materiais se une a uma consciência dos políticos que estamos escolhendo para ocupar os cargos de liderança, e se essas pessoas estão preparadas para atuar na mitigação das mudanças climáticas e proteção de áreas naturais protegidas.

Cuidar de plantas: como começar?

Curtir as belas fotos de salas recheadas de jiboias (a planta, claro!), Espadas de São Jorge e samambaias pode gerar aquele desejo interno de ter uma floresta particular - até o momento em que você se lembra que não consegue manter nem mesmo uma singela suculenta viva por muito tempo.

Mas, calma, Matheus e toda sua experiência como paisagista explica que existem plantas certas para cada ambiente, e que é importante considerar o espaço antes de correr para a feira de plantas mais próxima. "Sempre que eu começo o projeto de um jardim, ou mesmo a vegetação de um ambiente interno, procuro nos livros e na internet por plantas de sol, de sombra ou de interior", explica. "Para quem mora em apartamento, uma dica infalível é a Espada de São Jorge - Sansevieria trifasciata. É uma planta muito pouco exigente em iluminação, podendo ficar em ambientes com pouca luz, como banheiros. Essa é uma boa planta para iniciantes!"

Segundo ele, a planta também se adapta bem a pleno-sol, se for plantada em vasos, floreiras ou direto no solo. A boa notícia é que existem também diversos tipos, tamanhos, padrões e colorações, o que significa que dá para variar o visual de um ambiente usando uma mesma espécie. "Ela também ajuda a filtrar o ar do ambiente em que está", completa.

Quem busca outras opções, Matheus sugere mais espécies para ambientes internos: Dracenas, Calatheas, Philodendrons, Peperômias e Bromélias.

Se, mesmo assim, você se vê pensando em como vai fazer para manter a bichinha viva, vale lembrar que todas as dúvidas sobre o assunto já foram catalogadas e que, segundo Matheus, a primeira (e talvez maior) dificuldade dos iniciantes é entender o regime de regas.

Antes de comprar uma planta é sempre interessante pesquisar sobre os seus cuidados básicos e, principalmente, sobre as suas necessidades de água. Depois, o momento é mesmo de observar as folhas das suas plantas e como elas respondem aos cuidados. "Eu sempre digo: tente perceber se ela está feliz! Se estiver criando folhas novas, brilhantes e firmes, é um sinal de felicidade! Eu sempre pesquiso o significado dos sinais que a planta nos dá: folhas amareladas podem ser excesso de água ou nutrientes. Folhas queimadas podem ser excesso de sol e folhas murchas certamente estão com sede", diz o arquiteto.

Passado esse primeiro teste, existem outros cuidados necessários para manter a planta saudável, como o transplante de vasos, a troca de solo e as podas de ramos e raízes. "É sempre mais fácil quando cultivamos algo diretamente no solo, mas quando preciso replantar um vaso, procuro sempre fazer na primavera, quando as plantas saem da dormência e podem desenvolver suas raízes", explica Matheus.

Procurar o solo adequado para cada planta também é importante. Voltando ao exemplo da queridinha dos apartamentos, na Espada de São Jorge podem ser usadas partes iguais de terra vermelha (argilosa), terra vegetal ou húmus para promover nutrientes, além de areia grossa para tornar o solo mais permeável - esse, aliás, é um ponto importantíssimo no cuidado. O fundo do vaso precisa ter uma camada de pedriscos e areia para favorecer a drenagem, e os pratinhos podem ficar cheios de areia para evitar o acúmulo de água e, consequentemente, os mosquitos da dengue.

Por fim, o mais interessante é você aproveitar o processo e curtir estender o cuidado que você tem com você para as suas plantas. “Ver as folhas novas nascendo, as diferentes cores, formas, texturas e aromas que podem criar as composições mais incríveis e inusitadas, dividir as mudas com os amigos, transplantar sua planta para um vaso maior ou para vários vasos quando ela se multiplica é um grande prazer!", diz o paisagista.

“Muitas vezes nos frustramos quando decidimos nos arriscar no cultivo de uma espécie mais delicada - uma vez, meus tomates em vaso não chegaram a amadurecer - mas não devemos desanimar! Comece escolhendo as plantas certas para seu espaço preferido, aquele onde você gosta de relaxar, e tirar um tempo para admirá-las!", finaliza.