Início da vacinação contra Covid-19 no Brasil pode ter três datas diferentes; confira os cenários

João Conrado Kneipp
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Brazilian Health Minister Eduardo Pazuello delivers a speech during a ceremony to launch the Genomas Project at Planalto Palace in Brasilia on October 14, 2020. - The Genomas Project aims at making a population study to identify rare diseases by sequencing the DNA of 100,000 Brazilians. (Photo by EVARISTO SA / AFP) (Photo by EVARISTO SA/AFP via Getty Images)
Os períodos, segundo Pazuello anunciou em coletiva nesta quinta-feira (7), variam entre 20 de janeiro ou até mesmo no início de março de 2021. (Foto: EVARISTO SA/AFP via Getty Images)

O ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, afirmou que o Ministério da Saúde trabalha com três datas diferentes para o início da vacinação contra a Covid-19 no Brasil. Os períodos, segundo Pazuello anunciou em coletiva nesta quinta-feira (7), variam entre 20 de janeiro ou até mesmo no início de março.

Os cronogramas trabalham com cenários distintos, que dependem da capacidade de produção das vacinas pelos laboratórios brasileiros e da aprovação de uso emergencial desses imunizantes junto à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

O panorama do governo é avançar já no mês de janeiro com ao menos 8 milhões de doses, sendo 2 milhões importadas da Oxford/Astrazeneca, e outras 6 milhões da CoronaVac, que já estão no país.

Depois disso, a estimativa do governo é que a produção nacional seja de 30 milhões de doses por mês — 15 milhões da Oxford/Astrazeneca, produzidas pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), outras e 15 milhões da CoronaVac, pelo Instituto Butantan.

Vacinação em cenário em curto prazo

  • Início em 20 de janeiro de 2021

  • Depende da produção da CoronaVac, pelo Instituto Butantan, e com as doses importadas da vacina da Oxford/Astrazeneca

  • Depende do trâmite sem percalços dos registros emergencial dos dois imunizantes na Anvisa

Vacinação em cenário em médio prazo

  • Início entre 20 de janeiro a 10 de fevereiro

  • Dependeria da produção em solo brasileiro tanto da CoronaVac, pelo Butantan, quanto da vacina da Oxford/Astrazeneca, pela Fiocruz

  • Depende do trâmite sem percalços dos registros emergencial dos dois imunizantes na Anvisa

Vacinação em cenário em longo prazo

  • Início entre 10 de fevereiro ao começo do mês de março

  • Só acontece caso ocorra algum erro ou atraso no registro de uso emergencial da Anvisa ou na cadeia de produção na Fiocruz ou no Butantan

Pazuello também anunciou que todas as doses disponíveis da CoronaVac produzidas pelo Instituto Butantan serão incorporadas ao PNI (Plano Nacional de Imunização). O ministro afirmou que o Brasil assinou a compra de 100 milhões de doses da CoronaVac — 46 milhões até abril e outras 54 milhões de doses até o fim do ano.

De acordo com Pazuello, o valor da dose é de pouco mais de US$ 10.

Pazuello destacou ainda que o governo de Jair Bolsonaro (sem partido) está negociando a compra de doses da Sputnik V, desenvolvida pela Rússia.

Segundo Pazuello, o Brasil já tem 354 milhões de doses de uma vacina contra o novo coronavírus garantidas para 2021, sendo 254 milhões frutos da parceria da AstraZeneca/Oxford com a Fiocruz e outras 100 milhões da Coronavac.

A inclusão da vacina desenvolvida pelo governo paulista dentro das vacinas previstas no PNI já havia sido adiantada na quarta, quando Pazuello afirmou que o Brasil está preparado e tem seringas suficientes para iniciar a vacinação contra a Covid-19 ainda em janeiro.

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Nesta quinta, foi anunciado que a eficácia da CoronaVac contra o novo coronavírus é de 78% nos testes conduzidos no Brasil. Os estudos clínicos da vacina encabeçada pelo governo paulista foram apresentados à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) em reunião com membros do Butantan.

Após o encontro, o Butantan oficializou o pedido para registro emergencial do imunizante. O instituto espera que o rito para pedido de uso seja concretizado entre hoje e amanhã, em novas reuniões já agendadas com o órgão.

A CoronaVac é a aposta do governador João Doria (PSDB) no combate à Covid-19 e trunfo político contra seu rival Jair Bolsonaro. A vacina do Instituto Butantan ganhou projeção ao entrar no centro de uma guerra política entre o presidente e o governador, prováveis adversários nas eleições presidenciais de 2022.

No fim de 2020, Bolsonaro esvaziou o plano de aquisição futura da Coronavac feito em outubro por Pazuello, criticou o governador João Doria e disse que a vacina não era confiável por causa de sua origem.