'Indústria americana' frustra 'Democracia em Vertigem' com Oscar de melhor documentário

Os diretores americanos Steven Bognar (C) e Julia Reichert (I) recebem o Oscar de melhor documentário por "Indústria americana" na 92ª cerimônia do Oscar, em Hollywood, California, 9 de fevereiro de 2020

"Indústria americana", um documentário sobre uma fábrica de automóveis do Meio oeste dos Estados Unidos, reaberta por um bilionário chinês e produzido por Barack e Michelle Obama para a Netflix, frustrou as ambições do brasileiro "Democracia em Vertigem", e faturou o Oscar de melhor documentário neste domingo (9).

"Quando começamos (o filme), nem mesmo tínhamos o presidente (Donald) Trump, e muito menos as guerras comerciais e o conflito com a China", disse a diretora Julia Reichert à AFP.

Codirigido por Reichert e Steven Bognar, o filme, premiado no Festival de Sundance 2019, se passa em uma fábrica abandonada da General Motors em Ohio, que volta a funcionar quando o chinês Cao Dewang a compra e a transforma na fábrica de para-brisas Fuyao Glass America.

"American Factory" superou "Democracia em Vertigem", dirigido pela brasileira Petra Costa e considerado dias atrás uma "porcaria" e uma obra de ficção pelo presidente Jair Bolsonaro.

Disponível na Netflix desde junho passado, este documentário conta em primeira pessoa a ascensão da esquerda no Brasil, com a chegada ao poder de Luiz Inácio Lula da Silva em 2003, sua prisão após ser condenado por corrupção, a destituição de sua sucessora Dilma Rousseff em 2016 e a chegada da direita ao poder com Bolsonaro, em 2018.

Também disputavam o Oscar de melhor documentário "The Cave", "For Sama" e "Honeyland", este último também concorrente ao prêmio de melhor filme estrangeiro.