Atriz portuguesa faz apelo aos brasileiros: "Ignore Bolsonaro, ele não sabe o que diz"

Joana de Verona mora em Portugal, mas estava no Brasil gravando 'Éramos Seis' (divulgação)

A crise na pandemia do novo coronavírus adiantou a volta de Joana de Verona a Portugal. A atriz luso-brasileira que viveu a destemida Adelaide em ‘Éramos Seis’ retornou ao seu país e conta com exclusividade como tem sido os dias por lá e faz um apelo:

"O Brasil tem que ignorar o que o presidente fala, porque ele não sabe o que diz. Não só copia o que o Trump [Donald, presidente dos EUA] fala, que também não entende do assunto, como está sendo negligente e confundindo a população.". Confira o relato dela abaixo:

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Joana de Verona como a Adelaide, em 'Éramos Seis' (Camila Maia/Globo)

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"Acompanhei os três picos dessa onda. Tenho família na Ásia. Minha mãe estava visitando minha irmã e meus sobrinhos em Macau, na China, e ficaram em quarentena por três semanas. Tudo fechou por lá. Até agora eles medem a temperatura dos moradores para entrar nos prédios.

As pessoas que conseguem chegar de fora da cidade ficam em quarentena. As crianças estão estudando em casa há mais de 40 dias e não há registros de novos casos. A ‘normalidade’ voltou. As pessoas já estão saindo de casa.

Os países estão enterrando muitas pessoas e é muito sério

Depois, aqui na Europa, onde essa pandemia explodiu e está no auge. Estou em Lisboa, em Portugal, vivendo isso de perto. Nas farmácias daqui só entram duas pessoas de cada vez, nos supermercados também tem limite e distância. Se você sair para outras coisas (como festas, bares ou coisas triviais) pode ser preso ou pagar uma multa de € 600 euros (R$ 3.169).

Não há uma política de saúde pública unificada

É previsível que o isolamento seja prorrogado até 10 de abril, que é quando acreditam que seja o pico de infecções aqui e que essa quarentena seja mais severa. As pessoas ainda podem sair para o que eles chamam de ‘passeio higiênico’ — fazer exercício físico ou dar uma volta desde que sozinhas.

Não estou fazendo isso porque vim de viagem e quero preservar as pessoas, minha família, minha mãe que tem mais de 60 anos, meus sobrinhos. Quero rapidamente que tudo isso 'volte ao normal’ e estou levando a quarentena a sério. Todo mundo deveria fazer isso porque é um esforço coletivo mundial. Tem muita gente doente, os países estão enterrando muitas pessoas e é muito sério.

E o Brasil, que levou mais tempo para agir, o que é natural porque o vírus demorou para chegar e tem um tamanho continental. Infelizmente há uma negligência do governo muito grande. São números contraditórios, informações erradas, decisões que são inadequadas às situações.

Em Santa Catarina uns amigos me contaram que todo o comércio está fechado, ninguém entra nem sai do estado. Com um país tão grande, os governadores estão tomando medidas diferentes do governo federal. Não há uma política de saúde pública unificada. O que notei no Rio [de Janeiro] fecharam pontos turísticos, mas deixaram restaurantes abertos. Foi um erro.

Ignore o presidente do seu país

Permitir que pessoas só circulem em ônibus sentadas é um erro, até porque circular em pé já é um risco para a segurança. No Rio e em Portugal as informações sobre máscaras e luvas são contraditórias. Eles informam que esses itens não são essenciais, mas estou seguindo o que fazem os asiáticos.

Eles têm muita experiência no combate de pandemias. Eles, por natureza, quando estão doentes já saem à rua de máscara por uma noção de civilidade para não contaminar outras pessoas e por causa da poluição. Também os sigo porque foram os primeiros a viver isso e já estão superando de forma sucedida esse caos.

Portanto uso máscara sim. Existem pessoas que não usam, que não respeitam, que não mantém a distância de segurança. Me sinto preocupada em, caso esteja contaminada, não passar isso para outras pessoas. Aconselho às pessoas usarem luvas, máscara, evitarem ao máximo sair, lavar as mãos.

Estava de quarentena no Brasil depois que terminei de gravar a novela, estou em quarentena em Portugal.

Precisamos evitar que esse vírus se transmita nessa velocidade louca, para que as pessoas não fiquem doentes ao mesmo tempo e os sistemas de saúde não colapsem. Para que os médicos consigam dar conta de curar todas as pessoas em tempo útil. Temos que esperar que a ciência encontre formas mais eficazes de combater esse vírus.

O Brasil tem que ignorar o que o presidente fala, porque ele não sabe o que diz. Não só copia o que o Trump [Donald, presidente dos EUA] fala, que também não entende do assunto, como está sendo negligente e confundindo a população. Bolsonaro toma medidas absurdas e esse é um caso muito sério. É preciso ter consciência social como um todo. São tempos históricos que estamos vivendo que necessitam que estejamos à altura desse desafio, das exigências que são feitas.  

Não queremos que países enterrem mais mortos por descuido, por negligencia, por mentiras, por falta de informação. Que as pessoas se infectem cada vez mais e os médicos não consigam dar vazão aos doentes que aparecem e tenham que escolher quem vai morrer por não haver respiradores.

Já chegamos, aqui em Portugal, ao ponto de os hospitais não atenderem mais pessoas em estado crítico de outras doenças. Os médicos já sabem que não vale investir os poucos recursos que têm em pessoas com mais de 80 anos, que tem a saúde mais frágil. É melhor investir em uma pessoa mais jovem e com saúde mais forte. Nesse caso extremista e dramático temos que efetivamente cumprir as normas.

Estou seguindo os asiáticos, vendo os números no mundo e esperando com disciplina e esperança que isso tudo seja resolvido o mais rápido possível."  

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