Identidades roubadas são vendidas na dark web por menos de R$ 3

Ramon de Souza
·3 minuto de leitura

Quanto você acha que suas informações pessoais valem — queremos dizer, em dinheiro mesmo — nas mãos de um cibercriminoso? Bom, o valor varia muito dependendo do tipo de informação sobre a qual estamos falando. Não fique triste, mas temos que avisá-lo que, caso seu RG acabe vazando na web, ele será comercializado por valores irrisórios como US$ 0,50 a US$ 1,00 (R$ 2,58 e R$ 5,15, respectivamente, na conversão direta). O preço de um cafezinho.

Tal revelação foi feita pela Kaspersky, que, após analisar as atividades de dez fóruns obscuros e mercados clandestinos da dark web, conseguiu estabelecer uma média de valores para dados pessoais nesse submundo do crime cibernético. Carteiras de identidade são bem baratinhas, tal como passaportes, carteiras de habilitação e prontuários médicos digitalizados. O que fica caro mesmo são selfies de pessoas segurando seus documentos.

Os especialistas da companhia ressaltam que, embora a comercialização desses dados — geralmente obtidos em vazamentos, extraídos via vulnerabilidades em sistemas online ou recolhidos em campanhas de phishing — costume ter foco na prática de fraudes financeiras, também pode ocorrer o chamado doxxing, que nada mais é do que a exposição de detalhes de um indivíduo com o objetivo de constrangê-lo em público.

Vai querer qual, senhor?

“Algumas pessoas têm maior probabilidade de serem vítimas de doxxing, como jornalistas, influenciadores digitais, ativistas, advogados, profissionais da indústria do sexo e policiais. Para as mulheres, o doxing pode representar ainda ameaças e abusos verbais. Para os policiais, também significa perigo direto para sua segurança física”, explica Fabio Assolini, analista de segurança sênior da Kaspersky no Brasil.

Confira abaixo os tipos de dados mais comercializados na dark web e suas respectivas faixas de valores:

  • Dados da carteira de identidade: US$ 0,50 (R$ 2,59) a US$ 10 (R$ 51,85)

  • Digitalizações de passaporte: US$ 6 (R$ 31,11) a US$ 15 (R$ 77,78)

  • Digitalização da carteira de habilitação: US$ 5 (R$ 25,93) a US$ 25 (R$ 129,63)

  • Selfie com documentos: US$ 40 (R$ 207,41) a US$ 60 (R$ 311,12)

  • Prontuários médicos: US$ 1 (R$ 5,19) a US$ 30 (R$ 155,56)

  • Detalhes do cartão de crédito: US$ 6 (R$ 31,11) a US$ 20 (R$ 103,71)

  • Contas de bancos digitais ou de PayPal: US$ 50 (R$ 259,27) a US$ 500 (R$ 2.592,66)

  • Serviços de assinatura: US$ 0,50 (R$ 2,59) a US$ 8 (R$ 41,48)

  • Acesso não autorizado a e-mails ou contas de redes sociais: US$ 400 (R$ 2.074,13) a US$ 800 (R$ 4.148,26)

Os preços podem parecer um tanto aleatórios, mas há sentido neles. Documentos digitalizados, por si só, não costumam ser o suficiente para fraudes, visto que até mesmo instituições bancárias online costumam pedir formas adicionais de verificação de identidade. Eis o motivo pelo qual as selfies são tão valorizadas — elas costumam ser usadas como provas cabais para golpes que envolvem personificação.

Vale o quanto... Vale

Detalhes de cartões de crédito são obviamente valiosos; porém, visto que eles costumam ser vazados em alta quantia e não há como ter certeza de o quão grande é o seu saldo, o preço por tal informação acaba caindo. Já as contas bancárias inteiras são precificadas com base em seu saldo; serviços de assinatura variam de acordo com o preço da mensalidade. O acesso a redes sociais sai mais caro conforme a “popularidade” do internauta.

“Peço que todos reavaliem seus hábitos online, tendo como referência os riscos que a informação vazada pode representar em sua vida. Em nosso relatório, vemos que os dados têm valor para o cibercrime e as operações Data Broker e Peregrino III da Polícia Civil demonstraram como as gangues usam as informações pessoais e fotos dos perfis para clonar o WhatsApp das vítimas de vazamento de dados e extorquir seus amigos e familiares”, explica Assolini.

“Apenas uma operação policial dessas estimou um prejuízo de R$ 500 mil. E os golpes vão continuar acontecendo, até que a maioria dos brasileiros aprenda a dar importância para sua segurança digital e passe a se proteger melhor”, finaliza o executivo.

Fonte: Canaltech

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