C&A lança coleção desenvolvida por empreendedores negros e indígenas; veja peças

Coleção “Identidades”, da C&A (Foto: divulgação)
Coleção “Identidades”, da C&A (Foto: divulgação)

A C&A Brasil e o Instituto C&A, pilar social da rede, lançaram esta semana a coleção “Identidades”, com roupas e acessórios criados por empreendedores negros e indígenas. Ao todo, peças de oito marcas (quatro de roupas e quatro de acessórios, dívidas em duplas) estarão à venda em 30 lojas selecionadas por todo o país, além do site e do aplicativo.

Embora as trajetórias e referências mudem de estilista para estilista, o resultado é muito coeso. Isaac Silva Brand e Tropicana foram inspirados pela escritora Carolina Maria de Jesus; enquanto Nalimo e Ímpar Ateliê tiveram como base as mulheres originárias de Abya Yala (como nosso continente é chamado na língua do povo Kuna, ameríndios do Panamá e noroeste da Colômbia); Dendezeiro e Azulerde pensaram em produzir looks agêneros com modelagens que se adequassem a diversos tipos de corpos; a KF Branding, por fim, apostou na releitura de best sellers com as aplicações ecossustentáveis características da Adajo Aworan.

“Quando assumi a direção do Instituto C&A, em 2018, tinha a missão de aproximá-lo ainda mais da C&A Brasil, a fim de potencializar nosso impacto social. Então, criamos um programa de empreendedorismo voltado à moda, com processos de aceleração, mentorias e investimentos em reposicionamento de marca, por exemplo”, diz Gustavo Narciso ao Yahoo. “Paralelamente aos trabalhos focados no digital, pensamos no projeto ‘Identidades’ para incluir os pontos de venda físicos nessas iniciativas”, completa.

Coleção “Identidades”, da C&A (Foto: divulgação)
Coleção “Identidades”, da C&A (Foto: divulgação)

As quatro marcas de roupa (Dendezeiro, Isaac Silva Brand, Nalimo e KF Branding), Gustavo conta, foram escolhidas em seguida. “Para isso, observamos quem estava se destacando na Casa de Criadores, São Paulo Fashion Week e até nas redes sociais”, explica.

“O crescimento de marcas independentes, aliás, é uma tendência mundial justamente porque exploram particularidades importantes do ser humano, como identidade, ancestralidade e diversidade, algo que o varejo ainda está começando a fazer”, reflete ele, que considera como maior desafio da empreitada encontrar o equilíbrio entre o que os clientes da C&A Brasil estão acostumados a consumir e o DNA dessas marcas.

“Identidades” engloba ainda uma parceria com a PretaHub, espaço de inovação e criatividade liderado por Adriana Barbosa, CEO do Instituto Feira Preta. “É o segundo ano em que trabalhamos com o Instituto C&A em um projeto chamado ‘Afrolab’. Desta vez, fizemos uma chamada aberta exclusivamente para designers de acessórios e, de mais de 200 inscritos, selecionamos as marcas Azulerde, Tropicana, Adajo Aworan e Ímpar Ateliê”, declara ela.

Coleção “Identidades”, da C&A (Foto: divulgação)
Coleção “Identidades”, da C&A (Foto: divulgação)

A ideia é que a coleção seja apenas o começo de uma plataforma perene para novos talentos de grupos marginalizados. Ou seja, nos próximos lançamentos, outras marcas de moda como essas oito primeiras terão a oportunidade de ter mais visibilidade e reconhecimento. “Vamos levar em consideração todo o aprendizado que tivemos e ainda teremos para que ‘Identidades’ possa avançar nos anos que virão”, conclui Gustavo.