IBGE mostra peso de serviços públicos em saúde e educação para reduzir desigualdade

Cássia Almeida
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A Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) que o IBGE divulgou nesta quarta-feira mostra o peso dos serviços prestados pelo setor público nas despesas. Chamado pelo instituto de renda não monetária, essa parcela do orçamento é coberta, em sua maior parte, pela educação e saúde providos pelo estado. E tem papel fundamental de reduzir as desigualdades. O próprio IBGE mostrou que o Brasil é o nono país mais desigual do mundo.

O instituto oficial de pesquisa calculou que o gasto monetário com saúde dos mais ricos é 19 vezes maior que a despesa dos 10% mais pobres. Quando se compara o gasto não monetário (os serviços públicos de saúde e de distribuição de remédios), essa distância cai para nove vezes. “Isso é relevante para mostrar a importância dos gastos não monetários para famílias mais pobres, como fator de redução das disparidades de acesso”, constata a pesquisa.

Na saúde, o peso dessas despesas que não são pagas com os salários, mas com os impostos, chega a 30% na média. Na educação, a parcela chega à metade das despesas. O Brasil tem 99,7% das crianças de 6 a 14 anos na escola. Desse total, 82% estudam em escolas públicas. Sem ter que desembolsar esse custo mensal alto, a renda disponível das famílias aumenta.

No ensino médio, 80% dos gastos não monetários são oferecidos pelo estado. Diante do peso desses serviços no orçamento das famílias, fortalecer e aumentar ainda mais o acesso à educação e saúde públicos, nesses tempos de pandemia, é fundamental para que a crise não agrave ainda mais a desigualdade histórica brasileira.