Iará Rennó canta para Exu com Criolo e critica preguiça do público em 'Oríkì'

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Iara Rennó é compositora, cantora, instrumentista, produtora musical, performer e poeta, além de atriz --embora não se considere uma profissional da área. "Acho que está tudo interligado, todas essas atividades fazem parte da minha forma de existir e se alternam conforme a fase e as necessidades do momento", diz a artista, que amealha 21 anos de carreira. Rennó acaba de lançar nas plataformas digitais o álbum "Oríkì", uma saudação aos orixás brasileiros, louvados numa sonoridade africana.

"Oríkìs", em iorubá, são frases ou palavras de poder usadas para saudar, evocar ou louvar orixás. Entre elas, "Èsù gbe eni se ebo lore o", que significa "Exu sustenta quem faz o sacrifício corretamente". Para as 13 faixas de "Oríkìs" --sendo 12 inéditas--, a artista se debruçou numa pesquisa de 13 anos, fazendo também alguns sacrifícios. "Sem Exu nada acontece, não há movimento", ela afirma. " Sem alimentar Exu, nada tem caminho".

Esse é o oitavo disco da cantora. Sua carreira solo se inicia em 2007, com "Macunaíma Ópera Tupi", gravado pelo selo Sesc. Seis anos depois, se mudou para o Rio de Janeiro, lançando "Iara", pela Joia Moderna. Em 2016, voltou a São Paulo empilhando trabalhos --"Arco e Flecha", "Iaiá e os Erês", um projeto de música para criança, além dos pandêmicos "Pra Te Abraçar" e "AfrodisíacA".

Compostas a partir de transcriações de oríkìs milenares da tradição nagô, as faixas do novo disco soam como mantras. "Não sei se fui ouvida por orixás ou se foram eles que me sopraram esses versos", ela comenta. Em seu processo criativo, Rennó aponta para o transcendente, apostando num modo intuitivo de composição. "Cantei frente a frente com Exu, manifestado, que aprovou e abençoou essas músicas."

Para Rennó, seu trabalho ainda sofre com o racismo, sobretudo em um momento de ataque às religiões de matriz africana. Ela conta que parte do público pode tomar "Oríkì" como "mais um disco de música para orixá". A artista pondera, no entanto, a necessidade de reafirmar a cultura afrodiaspórica em um lugar de importância. "Acho que é o momento de reforçar esse coro", pontua.

Entre as faixas do disco, a artista destaca a instrumental "Àgò Mo Júbà Orí Okàn Oríkì", composição autoral interpretada pelo trompetista e cornetista norte-americano Rob Mazurek. Com arranjo de Marcelo Monteiro, a música saúda os principais orixás culturados no Brasil, na voz de Ronaldo de Oxalá, ogã do terreiro de candomblé Ilê Opó Aganju.

"Oríkì" tem ainda participações de Tulipa Ruiz, Carlinhos Brown, Criolo, Anelis Assumpção, Lucas Santtana, Thalma de Freitas e Curumin. "Esse disco é também um elo energético e espiritual. Todos estes encontros envolvem uma magia própria, seu axé", ela diz.

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