Humorista que imita Dilma critica atuação de Carioca ao lado de Bolsonaro: "Lamentável"

Gustavo Mendes como Dilma Rousseff e Carioca como Jair Bolsonaro. Fotos: reprodução/Instagram/@gustavomendestv e @carioca

Conhecido por interpretar a ex-presidente Dilma Rousseff no “Zorra Total”, da TV Globo, e no “Agora É Tarde”, da Band, o humorista Gustavo Mendes chamou de “lamentável” o episódio envolvendo o colega Carioca ao lado do presidente Jair Bolsonaro esta semana, em Brasília. Na ocasião, Márvio Lúcio representou o chefe do Executivo dando bananas para a imprensa em vez de responder a perguntas sobre o crescimento de apenas 1,1% do PIB (Produto Interno Bruto).

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“O papel do humor, mais do que fazer rir, é fazer pensar. Por isso digo que humor é sempre oposição, independentemente do viés político. Meu alvo sempre foi o opressor. Jamais aceitaria me prestar a um papel desses, pela situação do país”, afirmou Mendes, em entrevista ao portal Uol.

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O comediante continuou: “Atravessamos crises terríveis, tanto no governo Dilma quanto agora, no governo Bolsonaro, então acho um desserviço. A população precisa de informação e, à frente das câmeras, oferecem bananas. É tão deprimente que você vê claramente o desconforto do Carioca. Mas esse episódio lamentável não invalida a carreira brilhante dele, porque ele é genial”, .

Mendes ainda afirmou que Carioca foi usado. “Ali a gente viu uma tentativa patética de usar um humorista. Eu não condeno o Carioca, acho que ele foi usado, se perdeu ali na questão do poderio. Conheço-o de perto, na época da Dilma tínhamos opiniões parecidas, mas é lamentável. Não o que ele pensa da política, mas o que ele tem se tornado. Acho um desserviço à carreira dele e ao humor brasileiro”, analisou.

O humorista, que encontrou pessoalmente Dilma duas vezes - fantasiado, após o debate eleitoral de 2014, e de cara limpa, após o impeachment, em setembro de 2016 - acrescentou que dispensou convites para encontrá-la outras vezes para se manter isento nas críticas.

“Fui convidado diversas vezes ao Palácio na época da Dilma, mas nunca quis comparecer, porque achava que, se fosse, estaria de certa forma contaminado. Como conseguiria fazer críticas ferrenhas ao governo, como sempre fiz, depois de me tornar amigo dela? Nunca foi um convite para fazer o que Carioca fez, porque ele não fez humor. Quando comecei a imitar a Damares [Alves, atual ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos], fui chamado para conhecê-la e também não aceitei”, contou.