Humanista, fichado no DOPS e amigos há 50 anos: conheça o bispo do casamento de Lula e Janja

Rosângela Silva e Lula se casaram na quarta-feira (18) (Foto: Ricardo Stuckert/PT)
Rosângela Silva e Lula se casaram na quarta-feira (18) (Foto: Ricardo Stuckert/PT)

O bispo dom Angélico Sândalo Bernardino foi quem celebrou o casamento de Lula e Janja. Com discurso político, o amigo de longa data do ex-presidente e atual candidato, levou os noivos às lágrimas e emocionou os convidados.

Segundo O Globo, Angélico é amigo de Lula desde os anos 70 e foi o padre que batizou seus netos. Dom contou que foi chamado de comunista quando souberam que ele realizaria a cerimônia e afirmou que tinha muito orgulho de ser “companheiro de vida” do petista. "O Brasil precisa de alguém com a energia de Lula para tirar o Brasil dos tempos que vive hoje. Amai-vos  e não armai-vos", falou, ainda conforme o jornal.

O bispo recebe muitas mensagens carinhosas nas redes sociais. (Foto: Reprodução/Instagram @domangelicosandalo)
O bispo recebe muitas mensagens carinhosas nas redes sociais. (Foto: Reprodução/Instagram @domangelicosandalo)

Humanista, militante na época da Ditadura Militar, fichado no Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), admirador do Padre Júlio Lancellotti e de Paulo Freire: saiba mais do bispo que celebrou o casamento de Lula e Janja. As informações são de sua biografia, “Dom Angélico e o Grito do Povo”, produzida pelo Instituto Vladimir Herzog (IVH).

  • Dom Angélico Sândalo Bernardino foi nomeado bispo-auxiliar da Arquidiocese de São Paulo em 1975. Um ano depois, foi para a região episcopal de São Miguel Paulista, no extremo leste da capital;

  • Durante 14 anos atuou na organização de movimentos populares, sempre utilizando a educação e comunicação como formas de luta;

  • Chegou a desenvolver projetos de comunicação popular como jornais, rádios, teatro e outras iniciativas populares;

  • Segundo a biografia, Dom "estimulava a ocupação de terras, denunciava a violência de Estado, marchava com os trabalhadores e apostava na comunicação popular como instrumento de formação e informação. 'A bíblia numa mão, o jornal na outra', ensinava";

  • Espiões e delegados do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) chegaram a fazer anotações sobre Padre Angélico. Ele não teve sua prisão decretada em 1969, mas foi intimado a depor.

  • Era entusiasta da Teologia da Libertação e tornou-se um dos principais representantes do setor progressista da Igreja durante a ditadura militar e no período de redemocratização.

Foto resgata encontro do bispo com o educador Paulo Freire. (Foto: Reprodução/Instagram @domangelicosandalo)
Foto resgata encontro do bispo com o educador Paulo Freire. (Foto: Reprodução/Instagram @domangelicosandalo)
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