Homeschooling: a educação domiciliar vale a pena no Brasil?

A educação domiciliar cresceu 2000% nos últimos 7 anos


Nos Estados Unidos, é comum vermos crianças que são educadas em casa. O homeschooling é uma prática bastante conhecida por lá e que, aos poucos, parece crescer em popularidade por aqui também. 

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A educação domiciliar define, como diz o nome, que a criança será ensinada dentro de casa, e um ou mais adultos se responsabilizam pela sua aprendizagem - aliás, os próprios pais podem ser os professores ou, como também acontece, a educação fica por conta de professores particulares. 

Este ano, inclusive, a Ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, anunciou que aprovaria uma lei regulamentadora sobre o assunto ainda este ano - o que foi visto por muitos como uma vitória para a categoria. 

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Segundo uma pesquisa da Aned (Associação Nacional de Educação Domiciliar), já existem 7500 famílias que praticam a educação domiciliar por aqui, gerando um total 15.000 estudantes com idades entre 4 e 17 anos. É um crescimento de 2000% da prática nos últimos 7 anos.

Para Erica Mantovani, coordenadora do Colégio Mater Dei, de São Paulo, e psicopedagoga clínica,  o homeschooling é, sim, uma prática valida no Brasil, mas é muito importante levar em conta o porquê dele ser adotado. "Essa não pode ser considerada uma prática regular, mas necessária por algum tempo devido a alguma necessidade específica. Em caso de saúde, ela é muito eficiente, produtiva e absolutamente pertinente à realidade brasileira". 

De acordo com a psicopedagoga, a principal característica da educação domiciliar é o envolvimento da família, principalmente quando se fala em termos de rotina e do compromisso com o ensino. "Supervisionados por profissionais da educação e psicologia, a família se compromete a manter uma rotina e um comprometimento regular de escola. Se não houver essa organização, não teremos benefício nenhum com essa prática", diz ela. 

Educação Domiciliar x Escola Tradicional

Ensino em casa ou tradicional? (Foto: Getty Images)

A grande questão em torno do ensino familiar são os benefícios da vivência em grupo para o desenvolvimento da criança. Segundo Erica, a escola é o melhor lugar para se ter uma vida acadêmica, já é que é organizada para essa prática e possui os profissionais especializados e capacitados para exercerem essa atividade. 

Além disso, outro ponto importante é o fato de a escola oferecer relacionamentos para a criança que vão além da esfera familiar, ampliando a sua visão de mundo. "Em casa, não conseguimos simular situações de convívio diário, com diferentes pares etários; e esse aspecto é extremamente importante para um desenvolvimento saudável e feliz", diz a coordenadora.

Ao mesmo tempo, ela reconhece que a educação familiar tem vantagens. No caso de um aluno impossibilitado de ir à escola, como por questões de saúde, ele pode continuar as suas atividades em casa. 

Para Erica, cada caso é um caso e pode acontecer do aluno precisar de uma acompanhamento prolongado em casa - mas, para ela, o objetivo deve sempre ser voltara à escola regular. 

"Existem casos de famílias que viajam pelo mundo e que necessitam do homeschooling, mas é sabido que quando ficam mais tempo em um lugar, seus filhos vão para a escola regular, pois essa experiência é insubstituível", explica. 

O conteúdo escolar, desde que lidado com seriedade e qualidade, pode ser trabalhado em qualquer lugar - seja na sala de aula ou na sala de casa. O grande debate é que a educação domiciliar não consegue gerar experiências de convívio em grupo que a escola tradicional oferece e que, com certeza, é essencial para o desenvolvimento de qualquer pessoa.

Além de aprender como lidar com pessoas que pensam diferente dela, a criança desenvolve habilidades sociais e aprende a tomar decisões de forma independente, longe dos pais. 

Do mesmo lado, as escolas têm feito o máximo para acompanhar o momento atual e se manterem relevantes em um cenário que muda tão rápido. Segundo Erica, o trabalho em grupo, a cooperação, as competências e habilidades têm sido as grandes estrelas do processo.

"Com o uso adequado da tecnologia,  podemos incentivar o aluno cada dia mais a ser protagonista do seu próprio aprendizado. Por esse motivo, a convivência é cada vez mais importante e a escola fundamental na vida da criança e do adolescente para o desenvolvimento, principalmente, das competências socioemocionais", diz ela. 

Ao mesmo tempo que a tecnologia facilita o aprendizado - e isso promete ser uma realidade cada vez maior daqui para a frente -, o papel das escolas passa a ser, então, o de valorizar e incentivar cada vez mais as ligações interpessoais, ensinando à criança uma convivência pacífica em grupo. "O homeschooling deve ser mais um recurso para que o processo de aprender nunca seja interrompido", explica ela. .