Casal na barra: “Acham impossível um homem dançar pole dance”

Natália Eiras
·3 minuto de leitura
Homens no pole dance (Foto: Reprodução/Instagram@dancerinheels)
Homens no pole dance (Foto: Reprodução/Instagram@dancerinheels)

O fotógrafo João Vitor Martins, 22, tem duas irmãs pole dancers. Então não foi surpresa quando, em 2017, ele começou a se interessar pela prática após vê-las em um campeonato. “Achei maneiro”, diz. Em suas visitas ao estúdio das irmãs, ele se aproximou de Natália Leal, professora de pole dance que começou a namorar no fim daquele ano, e, pouco tempo depois, criou coragem para subir também na barra.

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Hoje em dia, o casal faz sucesso no Instagram e no Tik Tok ao dançarem juntos o exotic, estilo bastante sensual do pole dance que é dançado em cima do salto alto e com roupas reveladoras.

Não é incomum homens fazerem pole dance. No estúdio onde Natália trabalha há, por exemplo, uma aula exclusiva para eles. No entanto, os praticantes masculinos costumam preferir o pole dance esportivo, focado nas acrobacias e sem ondas corporais e rebolados. João fez uma dessas sessões.

“Inicialmente, ele dizia que nunca ia dançar, que não gostava de rebolar. Queria fazer apenas acrobacias”, comenta Natália. Porém, a estrutura da aula esportiva não agradou tanto o fotógrafo. “Não era o que eu esperava. Era mais engessada, cheia de regrinhas”, comenta João. Até que, um dia, fez uma sessão coreografada. “Curti muito mais.”

Não é porque o fotógrafo estava disposto a experimentar que ele se soltou logo de cara. No exotic, é comum botar o bumbum pra jogo durante a coreografia, assim como fazer movimentos em forma de onda no chão. Isso tudo deixava, inicialmente, João um pouco desconfortável. “Eu me achava muito duro, desengonçado. Rebolar não era algo que eu, como homem, costumava explorar. E também não gostava de mostrar o corpo. Era meio complicado”, fala. Isto não impedia que ambos continuassem a dançar juntos.

Com o tempo, no entanto, ele foi se abrindo. Em fevereiro de 2019, ele usou um salto pela primeira vez. “Se você for ver o vídeo, eu estou com medo de cair, mas ainda assim achei muito maneiro”, diz João. A sunguete só se tornou parte de seu figurino em março de 2020.

“Um amigo, que é embaixador de uma marca de pole, me deu ela de presente. Experimentei e me achei bonito. Primeiro usei para uma foto e depois comecei a dançar com ela”. “A dança fez bem para a autoestima dele. É legal vê-lo olhando um vídeo dançando e dizendo: ‘Minha bunda está linda. Olha minhas pernas’”, afirma Natália, carinhosamente. O próximo passo, agora, é abrir mão da camiseta. “Quero chegar lá”, ri.

Na internet, os vídeos do casal dançando juntos rende muitos comentários. Positivos e negativos. “As pessoas não esperam que um homem que tem uma namorada faça isso”, fala João. É comum questionarem a sexualidade do fotógrafo. “Comentam que ele deve, ‘pelo menos’, ser bissexual, que não tem como um homem heterossexual gostar de fazer pole dance”, complementa Natália. “Acham que é uma armação para ter likes, que ele vai me trocar por um homem. É uma constante causada pela ideia heteronormativa de que um homem não pode ser sensual dessa forma.”

Outra suposição comum é de que seria um “fetiche” deles. “Mas não tem nada a ver com a parte sexual. É uma coisa que gostamos de fazer juntos. É uma das coisas que fazemos como parceiros, como ler, tomar um café da manhã. Somos apaixonados e o pole dance se tornou mais uma coisa que compartilhamos”, finaliza Natália.

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