‘Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa’: Tom Holland dá show no melhor filme da franquia

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Tom Holland e Benedict Cumberbatch em ‘Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa’. Foto: Divulgação/ Sony
Tom Holland e Benedict Cumberbatch em ‘Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa’. Foto: Divulgação/ Sony

Por: Pedro Sobreiro

Antes de começar, pode ler esta crítica sem preocupações com spoilers. Não revelaremos informações sobre a trama ou segredos do filme.

Estrelando um dos super-heróis mais carismáticos e amados de todos os tempos, Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa chega aos cinemas brasileiros nesta quinta (16), com algumas sessões disponíveis já na noite desta quarta (15), para encerrar a trilogia estrelada por Tom Holland, que contou ainda com participações de luxo em filmes de outros heróis do Universo Cinematográfico Marvel, como o Capitão América e os Vingadores.

Na trama, que segue os eventos de Homem-Aranha: Longe de Casa (2019), o mundo descobre a identidade secreta do Homem-Aranha, transformando a vida de Peter Parker (Tom Holland) em um verdadeiro inferno. Sem poder sair de casa sem ser reconhecido ou ameaçado, o garoto começa a temer pela vida de seus amigos e familiares, que podem acabar pagando um preço bem caro pelas atitudes do herói.

Assim, ele decide buscar a ajuda do Doutor Estranho (Benedict Cumberbatch) para que ele lance um feitiço que apague da mente das pessoas que o Homem-Aranha é Peter Parker. Só que as coisas dão errado, todo mundo segue lembrando quem é o Cabeça de Teia e, para piorar, vilões de outros universos acabam sendo trazidos para essa realidade, sedentos por vingança e confusos por terem sido transportados para outra linha do tempo, onde tudo é diferente.

Partindo desse ponto, o filme dosa com maestria o uso dos vilões, dando destaque para o Duende Verde, mais uma vez interpretado brilhantemente por Willem Dafoe, e o Doutor Octopus de Alfred Molina, um dos mais icônicos personagens das adaptações de quadrinhos para as telonas. Os dois vêm da realidade dos filmes de Sam Raimi, protagonizados por Tobey Maguire. Então, quando eles descobrem que o Peter dessa realidade é outra pessoa, eles ficam nitidamente confusos com a situação.

Quem também retorna desse universo é o Homem-Areia (Thomas Haden Church), que parece ainda mais real com o avanço da computação gráfica. Mas também chegam vilões do universo dos filmes de Marc Webb, protagonizados pelo talentoso Andrew Garfield. São eles o Electro de Jamie Foxx e o Lagarto de Rhys Ifans. Sendo o primeiro vilão a ser oficialmente apresentado no projeto, o Electro ganha uma nova roupagem, bem mais fiel aos quadrinhos e mais conectada a pegada do Universo Cinematográfico Marvel. Eles são bem explorados em tela e ganham uma nova visão de vítimas de uma situação ocasionada por Peter Parker.

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Essa abordagem de tratá-los como vítimas e vilões é interessante e fica constantemente refletindo, mesmo que em tom mais descontraído, sobre suas origens no crime e como isso alterou de vez suas vidas. Mas não se enganem. No final, vai todo mundo infernizar a vida do Homem-Aranha e do Doutor Estranho.

Mas em um filme do Homem-Aranha, o herói não pode nunca ficar em segundo plano para o vilão. E como essa história traz uma abordagem mais densa para o Amigão da Vizinhança, a direção decide fazer o Peter de Holland aceitar suas responsabilidades na marra. Isso é refletido na própria paleta de cores do longa, que é mais sóbria e escura, fazendo um claro contraste com as duas aventuras anteriores, que traziam um tom mais animado e inocente, embalado pelas cores vibrantes de um adolescente descobrindo seus poderes.

Desta vez, porém, a vida adulta bate à porta de Peter Parker e não tem como ele desviar disso. Ou seja, é o ápice da jornada de amadurecimento do protagonista como herói, que não tem mais o Tony Stark (Robert Downey Jr.) para ajudá-lo a superar os problemas. E esse foi o maior acerto da produção: entender que Tom Holland não precisa ser coadjuvante de ninguém para sustentar um filme solo. Independentemente do que dizem os boatos e rumores, a trama gira em torno do Homem-Aranha do MCU e de seu crescimento para entender que grandes poderes trazem grandes responsabilidades.

Em meio a alguns “fan-services”, como os vilões citando frases icônicas de suas respectivas franquias e elementos que vieram das séries da Marvel no Disney+, o diretor Jon Watts constrói um filme maduro, que começa com um jeitão mais descontraído e vai se desenvolvendo para um drama épico, repleto de ação e um uso fantástico dos poderes do herói, que enfim se balança com as teias pela cidade, plana com sua roupa tecnológica, luta com golpes maravilhosamente criativos e, acima de tudo, se recusa a trair seus ideais, por mais que isso facilitasse muito mais sua vida.

Sobre os spoilers, como prometido, não confirmaremos nada nesta crítica, mas vale a pena comentar que os fãs dos quadrinhos clássicos, principalmente os das décadas de 60 e 70, sairão extasiados da sala de cinema. Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa consegue entender seu protagonista como poucos, já preparando o terreno para uma nova trilogia com o herói, que deverá explorar o início da vida adulta de Peter Parker, honrando com muito respeito o passado, dos quadrinhos e dos cinemas, enquanto abraça o futuro de um dos maiores, senão o maior, super-heróis de todos os tempos.

E a condução da história é tão boa de acompanhar que as 2h28 de filme passam com uma rapidez impressionante, dando a sensação de estar assistindo a um longa de 1h30. É um enorme presente de natal para aqueles que gostam de uma boa história e ainda mais para os fãs do Homem-Aranha.

Nota: 10