'Homem-Aranha no Aranhaverso' mostra que herói não tem gênero, raça, idade ou cor

(Imagem: divulgação Sony)

“Mais de uma pessoa pode usar a máscara”. Este é o mote de ‘Homem-Aranha no Aranhaverso’, animação que chega aos cinemas brasileiros após vencer o Globo de Ouro da categoria, no último domingo. No roteiro, o protagonista é Miles Morales, um rapaz negro e de família latina, que assume o uniforme do herói.

O recado é claro e prepara um terreno que deve ser bastante explorado pelo cinema nos próximos anos: os fãs mais tradicionalistas podem se preparar para desapegar de ver apenas Peter Parker como Homem-Aranha.

A mensagem acaba valendo também para a turma dos Vingadores, já que atores como Robert Downey Jr. (que interpreta Tony Stark) e Chris Evans (Steve Rogers) anunciaram que devem se aposentar dos papéis de Homem de Ferro e Capitão América num futuro próximo.

Se nos quadrinhos passou a ser relativamente comum ver outras identidades vestindo estes uniformes, a ponto de Riri Williams, uma adolescente negra, ser uma das substitutas de Stark, isso deve se expandir para a tela grande a partir de agora.

A depender da recepção a ‘Homem-Aranha no Aranhaverso’, o caminho está aberto. O longa animado foi saudado por muitos como um dos melhores filmes do Cabeça de Teia já feitos, incluindo os estrelados por Tobey Maguire, Andrew Garfield e, mais recentemente, Tom Holland.

A história se passa num mundo onde Peter Parker é morto em combate, num confronto com o Rei do Crime. O jovem Miles Morales, que recentemente havia também sido picado por uma aranha radioativa, toma para si a responsabilidade de vestir o manto do herói.

Porém, um acidente misturou as dimensões, e ele é visitado por versões alternativas do Homem-Aranha, vindas de realidades paralelas: um outro Parker, deprimido e rechonchudo, uma personagem de anime, o Homem-Aranha noir (dublado por Nicolas Cage) e até um Porco-Aranha. O grupo trabalha para desfazer a confusão temporal, enquanto enfrenta os vilões.

A estratégia é embalada por uma trama divertida e cheia de referências que devem agradar quem conhece o universo do herói mais profundamente. A técnica de animação, que mistura a linguagem dos quadrinhos com 3D, garante um visual peculiar ao longa.

E, como não poderia deixar de ser, há ainda uma das últimas aparições de Stan Lee, morto em novembro. O criador do personagem tem participação emblemática, emprestando as feições e voz a um dono de loja que vende a Morales o uniforme de Homem-Aranha. “A fantasia sempre acaba servindo”, diz, em tom encorajador. A cena é mais um sinal do futuro cheio de diversidade e possibilidades que a animação sinaliza.