History Channel estreia 2º temporada do ‘Desafio Sob Fogo’ com brasileiro na disputa

Caio Nascimento*
History / Divulgação

Estreia nesta quinta-feira, 26, às 23h, a segunda temporada do Desafio Sob Fogo: América Latina. O programa, televisionado no History Channel, traz ferreiros e cuteleiros para modelarem armas de diversos períodos históricos.

Esta edição contará com oito profissionais do México, Argentina, Espanha, Colômbia e Brasil que será representado por Daniel Jobim. O gaúcho, de 41 anos, é especialista há 13 anos em cutelaria artesanal - área responsável pela produção de facas, espadas, machados e outros objetos de corte.

"O pessoal da cutelaria é quase um professor pardal", brinca. "Precisa ser multifuncional e saber manusear trabalhos com aço, fogo, madeira e couro", conta ele, que concorre ao prêmio de US$ 10 mil (R$ 40,8 mil, na cotação atual), caso seja o campeão da disputa.

Falta de tempo é a arma do jogo

Dividido em oito episódios, o Desafio Sob Fogo propõe aos competidores tarefas complexas para a produção de armas resistentes, afiadas e letais, como a faca kukri nepalês - voltada para o combate corpo a corpo - e o machado francisca, usado pelos germânicos francos em guerras durante os anos iniciais da Idade Média.

Apesar de os participantes já terem experiência artesanal com esse tipo de trabalho, eles precisarão ter uma habilidade maior que o normal. Utilizando como matérias-primas ferramentas simples, sucata e armaduras velhas, cada um terá que forjar as armas em oito horas - muito menos que o habitual.

"A maior dificuldade é saber lidar contigo mesmo no torneio", afirma Daniel Jobim, que participou das gravações em maio deste ano. "É necessário ter tranquilidade e foco para conseguir lidar com a pressão psicológica e fazer tudo que eles pedem em tão pouco tempo. Costumo fazer uma peça em cinco dias normalmente. Aqui, tenho que forjar as armas em questão de horas", completa.

Veja um pouco dessa adrenalina em um dos vídeos divulgados pelo History:

Episódios

Os ferreiros serão desafiados a criar um tipo de arma a cada episódio. No primeiro, terão de desenhar o projeto de uma faca de sobrevivência em dez minutos e montá-la em seis horas.

Depois, o júri de especialistas, formado pelo mexicano Antonio de Regil e pelo argentino Mariano Gugliotta, vão golpear as peças em um trilho de trem para testar a resistência. O participante com pior desempenho será eliminado e não somará pontos.

Os outros deverão finalizar as armas, que serão testadas na lataria de um avião e em uma caixa de suprimentos. O primeiro colocado da rodada ganhará cem pontos; o segundo, 75; e o terceiro, 50.



Armas como arte

Para Daniel Jobim, as etapas do desafio mostram que o programa vai além do uso de armas e retrata um ramo artesanal ainda pouco difundido no Brasil.

"A disputa, acima de tudo, destaca a arte do forjador e a habilidade dele. É um resgate da história. Cada arma tem um contexto diferente", analisa ele, cuja principal habilidade é com armas de caça.

Questionado sobre a relação entre armamentos e a violência, que podem se confundir com o ofício do cuteleiro artesanal, Jobim é categórico. "A cutelaria não é um meio de incitar a agressão. A faca foi a primeira ferramenta da humanidade. Portanto, a cutelaria que pratico é artística. As peças nada mas são do que uma funcionalidade com arte agregada", opina. Veja alguns dos melhores momentos da primeira temporada:



Como artesão, o homem produz de quatro a cinco peças por mês com diversos tipos de pedidos e clientes, como churrasqueiros, caçadores e colecionadores do Brasil e de outros países.

Questionado sobre possíveis spoilers, uma vez que o Desafio Sob Fogo já foi gravado e produzido, Daniel não dá pistas. Caso ele vença, o Brasil será bicampeão do programa, visto que o cuteleiro gaúcho Tom Silva venceu a primeira temporada.

Exposição das armas

Está ocorrendo até 22 de outubro, no shopping Eldorado, em São Paulo, uma exposição gratuita das armas fabricadas pelos competidores na nova temporada do reality show.

Local: 2º subsolo do shopping Eldorado (Av. Rebouças, 3970 - Pinheiros)
Dias e horários: de segunda-feira a domingo, das 10h às 22h

* Estagiário sob a supervisão de Charlise Morais