Historiadora que deu aulas a Fiuk diz sofrer ataques por atitudes do ator

FERNANDA PEREIRA NEVES
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***ARQUIVO***SÃO PAULO: Cantor e ator Fiuk durante estreia do espetáculo
***ARQUIVO***SÃO PAULO: Cantor e ator Fiuk durante estreia do espetáculo

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A entrada de famosos no elenco do Big Brother Brasil, desde a edição passada, abriu novas possibilidades para os participantes. Agora, uma parte dos competidores, não só sabe previamente que estará no programa, como tem a possibilidade de se preparar e até criar estratégias para se promover.

A atriz e cantora Manu Gavassi, 28, marcou o BBB 20 ao encontrar uma forma de se comunicar com os fãs durante o confinamento. Nos vídeos, gravados previamente e postados em suas redes sociais, ela falava sobre o jogo, sobre sua carreira e brincava com situações que estaria passando no programa.

A estratégia foi um sucesso. Mesmo no começo do reality, quando Manu parecia resistir a entrar no jogo, seu perfil mantinha todos atentos e engajados, com revelações, como as conversas que teve com ex-BBBs; e brincadeiras, como as previsões para o mundo exterior, que incluía Kim Kardashian como primeira-dama.

Na atual edição, no entanto, o destaque parece ser a preparação que o ator e cantor Fiuk, 30, fez antes de entrar no programa, com aulas sobre história do Brasil, feminismo e movimentos LGBTQIA+. A ideia do cantor seria não cometer os mesmos erros de participantes anteriores e evitar seu cancelamento.

Uma das professoras contratadas por Fiuk é Carol Sodré, 25, que é formada em história pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e atualmente faz mestrado na PUC-Rio. Ela diz que foi chamada para dar aulas para a cantora Negra Li, 41, que teria sido convidada, mas posteriormente rejeitado a proposta do programa. Assim, o convite teria sido encaminhado a Fiuk.

"Dei as mesmas aulas que eu daria para a Negra Li ou para qualquer um que me contratasse pedindo esse recorte de tema. Não foi um coach, uma preparação para o programa de forma direta. Óbvio que ele usou isso, mas foi uma preparação para ele tomar esse choque de realidade, porque ele vive numa bolha privilegiada", diz a professora.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, Sodré afirma que foram combinadas inicialmente dez aulas para o artista, mas só quatro foram realizadas de fato, devido à agenda lotada dele. Nesses encontros online, ela abordou temas como a construção do colonialismo no Brasil, a família tradicional brasileira, escravidão e o fardo do homem branco.

"Em momento algum eu falei para ele o que deveria falar ou deixar de falar no programa. Ele só parecia curioso com o tema, chocado com as informações e chorava muito nas aulas", afirma a historiadora, destacando a colonização da África e o holocausto negro como os temas mais chocantes para o ator e cantor.

Sobre os choros de Fiuk, que acontecem com frequência no BBB 21, Sodré afirma que aconteceram quando ela mostrou fotos de um genocídio na África. "Eu não gosto de usar esse tipo de imagem, mas me pediram para chocar ele. Então eu optei por mostrar as imagens e ele ficou em parafuso, não parava de chorar."

DISTORÇÕES E ATAQUES

Apesar de parecer uma vantagem a oportunidade de se preparar para o BBB, a iniciativa de Fiuk acabou não impressionando. Após uma entrada bastante positiva, com mensagens bonitas e conquistando uma imunidade do público já na primeira semana, o artista passou a ser visto como "forçado" e suas falas como distorcidas.

Os cortes às falas de colegas de confinamento e a insistência em aplicar avaliações raciais em algumas conversas chamaram a atenção dos telespectadores. Fiuk citou um quadro durante uma conversa com Projota sobre a família tradicional brasileira, que foi reconhecido por alunos das aulas de Sodré e identificada como a tal professora.

"Ele pegou um compilado de informações que teve comigo e com as outras professoras e meio que misturou de tudo, colocou numa realidade dele, na bolha dele, e fez a sua própria leitura. Muita gente veio me cobrar, mas não posso me responsabilizar pelo que sai da boca de todo ex-aluno meu", desabafou a professora.

"Eu penso que ele pegou o que aprendeu e distorceu", continua ela. "Mas ele não foi uma péssima pessoa, só que ele ainda está assimilando as informações que recebeu, e talvez ali ele tenha tentado mostrar compaixão demais e não entendido o quão delicado são os assuntos e todas as situações que ele envolve."

Sodré afirma que tem recebido ataques pelas redes sociais por causa das falas e atitudes de Fiuk, mas diz estar tranquila e tem certeza de que não fez nada de errado. "Fui chamada para dar aulas e eu fiz o meu trabalho. Entreguei no padrão que costumo entregar, então tenho a consciência muito tranquila."

Apesar de ser recente, essa não é a primeira vez que uma suposta preparação para o programa causa polêmica. Na edição passada, a influenciadora digital Rafa Kalimann, 28, chegou a ser questionada sobre suas seções com um coach, que teriam sido apontadas como preparatórias para o programa.

Na época, o perfil oficial dela explicou que, apesar de ela ter feito coach, ele não era focado no programa e teria começado em 2015. "Rafa se dedicou em se conhecer. Fez vários cursos e esse foi o primeiro deles. Lembrando: o autoconhecimento é essencial para o ser humano. Não dói! Te constrói e te fortalece."