Herpes na quarentena? Você não está sozinho

Close up shot of pretty woman being affected by herpes virus, keeps fore finger near lips, has dissatisfied facial expression, wears red clothing poses over pink background. People and illness concept

Por Elisa Soupin (@faleparaelisa)

Durante a quarentena, medida essencial para combater a disseminação do novo coronavírus, a comerciante Evanda Souza, de 64 anos, sentiu uma erupção dolorosa no canto da boca. Era uma crise de herpes. “Há muitos e muitos anos eu não tinha herpes. Acho que com o confinamento em casa e toda a tensão da situação que estamos vivendo, com tantas notícias ruins, a herpes acabou aparecendo”, diz ela. 

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Já a relações públicas Júlia Vieira, de 29 anos, também teve herpes, depois de passar 40 dias com os pais durante a quarentena e resolver que era hora de voltar para a casa. 

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“Estava bem estressada e quando decidi voltar para o meu apartamento, o contexto da mudança me deixou aflita. Estava há mais ou menos 35 dias sem pisar na rua nem para ir ao mercado e tive que pegar um carro, sair de uma cidade, entrar em elevador para chegar na minha casa... tudo isso fez com que eu ficasse muito ansiosa. Poucos dias depois, explodiu uma herpes no canto da minha boca. Nem lembrava a última vez que havia tido!”, narra ela. 

Evanda e Júlia não são casos isolados, a incidência de herpes pode mesmo aumentar durante o período de quarentena, já que a doença tem fundo emocional e está relacionada ao estresse. 

Mas, primeiramente, o que é a herpes?

Para começar a entender, existem dois tipos de hertes. O mais recorrente é o tipo 1. “O herpes simples, causado pelos herpes simples vírus 1 e 2 (HSV 1 e 2), são responsáveis mais frequentemente pelos quadros de herpes labial e genital, que podem se apresentar com surtos recorrentes de pequenas vesículas agrupadas, erosões e crostas”, explica a dermatologista Juliana Piquet. 

“Já o herpes zoster é provocado pela reativação do vírus varicela zoster, o vírus da catapora, e se manifesta também com vesículas agrupadas, porém ocupando uma área maior, que segue o trajeto de um nervo”, explica a especialista. 

Existe um fator para doença aparecer em tantas pessoas ao mesmo tempo?

“No caso do herpes simples, o vírus fica latente até que ocorra alguma alteração estrutural na célula infectada pelo vírus, provocando sua reativação. Os principais fatores capazes de provocar essa reativação são imunodepressão, radiação ultravioleta, trauma e estresse”, explica Juliana Piquet. 

“Dessa forma, têm sido observado tanto associação de lesões de herpes em pacientes infectados pelo COVID 19 quanto na população em.geral acometida por forte estresse durante a pandemia, seja pelo isolamento, pelo medo da doença, pelos impactos econômicos”, fala a especialista.

“O aumento do cortisol relacionado com o estresse do momento, é um fator predisponente ao aparecimento das lesões”, reitera a dermatologista Fernanda Bortolozo, da clínica Leger.

O uso de máscara pode influenciar no aparecimento da herpes?

“Conforme o material de que a máscara é feita, pode predispor a alergias, umidade e baixa da imunidade local, o que associado ao momento estressante, pode aumentar a frequência de surgimento das lesões provocadas pelo vírus”, explica Fernanda Bortolozo. O melhor material? “É ideal para uso no dia a dia material hipoalergênico, como a máscara dupla de algodão”, diz ela. .

A herpes é um indício de baixa imunidade?

“No caso do herpes simples, fatores como trauma local e exposição solar podem ser responsáveis pela reativação, sem necessidade de maior investigação”, diz a dermatologista Juliana. Então, na hora de pegar sol e manter a vitamina D em dia, hábito importante durante o confinamento, não esqueça de passar um protetor labial para evitar o problema. 

O que dá pra fazer pra evitar a herpes?

“Por ser um vírus que se reativa com alterações localizadas de pele ou aumento do cortisol no sangue, deve-se evitar manipular a região dos lábios, não partilhar utensílios que tenham contato com a boca com outras pessoas”, ensina a dermatologista Fernanda Bortolozo, da clínica Leger. 

Herpes podem se manifestar em outras partes do corpo?

“O herpes simples em mais de 90% dos casos aparece ao redor da boca”, diz Fernanda Bortolozo. Mas isso não é regra.

“A herpes pode aparecer em qualquer parte do corpo. Mais comumente o HSV 1 é responsável pelas lesões extra-genitais enquanto o HSV 2 é responsável pelas lesões genitais e perigenitais, embora ambos possam acometer qualquer área do corpo. Geralmente as recidivas acontecem na mesma região”, explica Juliana. 

Há alimentos que podem agravar o quadro?

“Alimentos ricos em arginina, aminoácido presente no abacaxi, kiwi, castanha, amendoim, nozes e pistache, além de alguns suplementos usados para quem pratica exercício físicos, podem intensificar os efeitos do herpes”, diz Juliana Piquet. 

“Alimentos ácidos ou bebidas alcoólicas podem gerar dor local. É importante manter a área das lesões limpa e procurar atendimento dermatológico para prescrição de medicamentos específicos”, ressalta Fernanda Bortolozo.

Há tratamentos naturais que possam ser feitos em casa e aliviem os sintomas? 

“Compressas de chá de camomila em temperatura ambiente podem auxiliar nos sintomas, pois tem uma ação antiinflamatória”, dá a dica Fernanda Bortolozo. 

No entanto, a especialista Juliana Piquet ressalta que a tecnologia pode ajudar em casos mais complexos. 

“O tratamento deve ser feito com antivirais em doses diferentes para os casos de herpes simples e herpes zoster. A telemedicina pode ajudar no diagnóstico e tratamento evitando saídas desnecessárias”, diz.