Herdeira da família mais cinematográfica do país narra sua batalha contra as drogas

Maria Fortuna
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Foi o mar que salvou Julia Barreto. Quer dizer, primeiro, foram os filhos. Caetano e Olivia despertaram na documentarista de 42 anos a urgência em emergir do fundo do poço, onde a dependência química a afogou por quatro anos. Depois, a água salgada. Por meio do surfe, encontrou o equilíbrio emocional para virar a chave. Agora, Julia quer descobrir a mulher que ficou pelo caminho.

Seu primeiro longa promete ajudar nessa busca. “Icamiabas – A força do feminino ancestral” parte da lenda amazônica sobre indígenas guerreiras para retratar mulheres contemporâneas que trazem a força feminina originária. Intimidade com o set ela tem. Encarna a terceira geração da família mais cinematográfica do país, o clã por trás da produtora LC Barreto. É neta de Lucy e Luiz Carlos Barreto, o Barretão, e filha de Fábio Barreto, cineasta morto em 2019. Julia trabalhou em todos os filmes dele desde “O quatrilho”, de 1995. A última parceria aconteceu em “Lula, o filho do Brasil”, de 2009.

Foi naquele ano que a vida da documentarista começou a desmoronar. Numa noite de dezembro, Fábio sofreu o grave acidente de carro que o deixaria em coma por dez anos. Criada pelo pai e agora privada desse afeto, Julia surtou. Tinha dado à luz Olivia, sua segunda filha, havia um mês. O que não a impediu de cair na profunda depressão que corroeu seu casamento de 13 anos e a fez emburacar em compras e comida. Chegou a pesar 120 quilos e passou a enganar o vazio numa roda viva de festas e noitadas em bares. Madrugadas regadas à álcool e muitas outras drogas, em que mendigava a atenção de quem lhe conversa. Acordava em lugares que nem ela acreditava, bateu o carro ao dirigir alcoolizada e teve princípio de overdose mais de uma vez.

— Perdi o respeito por mim. Só não morri por causa dos meus filhos - conta ela, que teve que se afastar das crianças e hoje tentar a reaproximação.

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