Hemorroida, falta de libido, escape de xixi: famosas dão voz ao pós-parto

Sabrina Sato, Rafa Brites e Isa Scherer falam sobre questões do pós-parto (Foto: Agnews)
Sabrina Sato, Rafa Brites e Isa Scherer falam sobre questões do pós-parto (Foto: Agnews)

Enjoos, tonturas e desejos incomuns são os sintomas mais populares que podem indicar o início de uma gravidez. O que acontece com o corpo antes e durante a gestação sempre é motivo de curiosidade por pessoas que podem engravidar e suscitam debates entre especialistas. Mas, o que ocorre após o bebê nascer ainda é visto como tabu e motivo de vergonha para algumas mulheres.

Neste ano de 2022, a internet pode acompanhar mamães famosas que deram voz a decorrências resultantes do pós-parto. Rafa Brites, mãe de Rocco, de 5 anos de idade, e Leon, de 10 meses revelou que passou por três cirurgias após o parto do seu segundo neném.

Rafa operou a vesícula, uma hérnia umbilical e hemorroida. Em seu perfil no Instagram, a apresentadora compartilhou o processo e ressaltou a importância de comentar sobre o assunto.

Este conteúdo não está disponível devido às suas preferências de privacidade.
Para vê-los, atualize suas configurações aqui.

O pós-parto precisa ser discutido

A vice-presidente da Associação de Obstetrícia e Ginecologia da Bahia, Claudia Smith, conta que o pós-parto muitas vezes é esquecido nas conversas do pré-natal.

É muito importante para a mulher e seu parceiro entenderem as alterações fisiológicas orgânicas e emocionais que ocorrem nesta fase para que sua passagem seja aguardada e serenadiz a médica

De acordo com a obstetra, múltiplas alterações podem ocorrer no puerpério, até 42 dias pós-parto, como incontinência urinária, hemorróidas, diminuição da libido, dores na relação sexual e depressão pós-parto.

No caso das hemorroidas, Smith explica apesar de não acometer apenas as mulheres no pós-parto, o quadro clínico pode ser evitado no período expulsivo do parto normal.

Claúdia explica que o reflexo fisiológico de fazer força para baixo somado à pressão exercida pelo bebê no útero, necessária para a sua saída do corpo da mãe, pode levar ao aparecimento ou a piora das hemorroidas.

“Ciente deste procedimento natural, a gestante deve ser orientada no pré-natal a realizar reeducação alimentar estimulando ingestão de alimentos ricos em fibras e menos massas, pães, além de ter uma boa ingestão de água e praticar atividade física, hábitos esses que colaboram na manutenção do ritmo intestinal diário”, recomenda a especialista.

A condução durante o parto também pode ser determinante para uma curta recuperação.

“A pessoa em trabalho de parto não deve ser estimulada a fazer esforço precocemente, pois além de ser ineficiente, isso irá aumentar edema e aparecimento de hemorroidas. No período expulsivo, caso a pessoa prefira a posição vertical e esse período se torne prolongado, é interessante que a gestante seja estimulada a alternar posições, voltando para a posição verticalizada mais perto da saída do bebê”, explica.

Hérnia no pós-parto

Outra situação vivida por Rafa Brites, a hérnia umbilical materna identificada no pós-parto é relativamente comum. Em novembro deste ano, a atriz e campeã do "Masterchef Brasil", Isa Scherer, contou que talvez precisasse passar pelo procedimento após dar à luz aos gêmeos Bento e Mel, de três meses.

Smith explica que isso decorre pela distensão abdominal da mulher durante a gestação, ou seja, o aumento da barriga pode expandir o anel umbilical.

“Com o passar dos meses, o abdômen retorna a sua anatomia habitual e a maioria das hérnias umbilicais regridem. Muito interessante, para todas as puérperas é a realização de fisioterapia no pós-parto, para a recuperação da musculatura abdominal e perineal”, explica.

Escape de xixi

Renata Carvalho, mãe de Samuel de 5 anos de idade, e Bruna de 3 meses (Foto: Arquivo Pessoal)
Renata Carvalho, mãe de Samuel de 5 anos de idade, e Bruna de 3 meses (Foto: Arquivo Pessoal)

Longe das redes sociais e dos holofotes de milhares de seguidores, Renata Carvalho, mãe de Samuel de 5 anos de idade, e Bruna de 3 meses, conta que não recebeu informações durante o pré-natal e que descobriu uma infecção no útero no pós da sua primeira gravidez, que foi uma cesária. Isso porque ela teve mastite e inflamação aguda dos tecidos da mama.

“Fui para a maternidade por causa da febre da mastite e comentei com a médica que a coloração da minha menstruação estava verde. Mas não tive nenhuma orientação de que poderia ter escape de xixi, candidíase ou problemas na vesícula no meu pós-parto”, conta.

Quadro corriqueiro em algumas mulheres, a incontinência e a infecção urinária são bastante comum durante o período gestacional e pode acontecer após o nascimento do bebê. Além disso, a ocorrência não se resume aos partos normais, também acomete quem passa pela cesárea.

Renata sofreu de infecção urinária na primeira gestação, mas não teve repetição do quadro na segunda experiência. Para a obstetra Cláudia Smith, a fisioterapia perineal é importante mesmo para as mulheres que passaram pelo parto cesariano, pois a musculatura perineal precisa ser tonificada.

Sem libido

Sabrina Sato e Duda Nagle (Foto: Agnews)
Sabrina Sato e Duda Nagle (Foto: Agnews)

Outro ponto importante e pouco discutido entre as mulheres é a perda de libido após o nascimento do bebê. A apresentadora Sabrina Sato, mãe de Zoe de 4 anos de idade, trouxe o assunto à tona e revelou que quase se divorciou do marido Duda Nagle no início deste ano.

“A mulher não é apenas um corpo, a sua sexualidade é multifatorial. Agora há um bebê, noites sem dormir, preocupações, angústias que vão interferir na vida sexual do casal. A sexualidade será retomada gradativamente. A mulher sentindo-se amparada no cuidado com o bebê e com seu autocuidado, passará mais facilmente por esta fase”, avalia a obstetra.

Smith ainda especifica que, fisiologicamente, após a saída da placenta, a mulher vivencia uma privação hormonal intensa levando a diminuição do trofismo vaginal, em outras palavras: a mucosa da vagina fica fina e sensível o que pode causar desconforto durante as relações sexuais.

“Apesar das relações sexuais estarem liberadas após o fim da loquiação (sangramento pós parto), é muito comum que no retorno da atividade sexual, a penetração vaginal seja dolorida. O casal ciente destas mudanças, podem e devem procurar formas para tornar o ato sexual prazeroso para a puérpera”.

Outro ponto importante e sempre destacado pelas recém-mamães: a rede de apoio no pós-parto, seja ele tranquilo ou conturbado.

Depressão

Este conteúdo não está disponível devido às suas preferências de privacidade.
Para vê-los, atualize suas configurações aqui.

A atriz Thaila Ayala, mãe de Francisco, de 1 ano, que agora está esperando o segundo bebê com o ator Renato Góes, compartilhou um relato emocionante de como estava sendo o primeiro mês com Francisco e chamou o processo de “muito difícil e doloroso”.

Em setembro deste mês, a atriz voltou a falar sobre puerpério e a depressão pós-parto que sofreu na chegada do primogênito.

“Foi a minha depressão, que eu nunca tinha tido. Foi o mais pesado. Mas, passada a gravidez, a amamentação e a privação do sono máxima dos primeiros meses, eu diria que a perda da individualidade. Você perde mesmo. Acabou. Não existe mais a sua individualidade e a sua identidade”, desabafou a atriz em seu perfil no Instagram.

A obstetra enfatiza que a rede de apoio é fundamental para evitar sobrecargas e aproveitar a chegada o bebê de forma harmônica e feliz.

Já disposta a ter mais um filho, Renata destaca a importância da família na participação dos seus dois pós-partos e aponta a experiência como determinante para um segundo pós mais tranquilo.

“Nunca fiquei sozinha. Tive apoio da minha sogra, minha cunhada, minha mãe e do marido. Foi muito importante para mim, o psicológico fica frágil, você se cobra muito. Se eu não tivesse essa rede de apoio seria muito triste (...) Por mais constrangedor que pareça ser, aconselho que todas as mulheres peçam ajuda, pesquisem e falem sobre seus sintomas no puerpério”.