Helinho sonha com Seleção e vê 4 estrangeiros por time um excesso

Colaboradores Yahoo Esportes
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Helinho é o atual treinador do Sesi Franca Basquete (Divulgação)
Helinho é o atual treinador do Sesi Franca Basquete (Divulgação)

Guilherme Faber (@fabergui) e Matheus Brum (@matheustbrum)

Multicampeão como jogador, capitão e “dono” da camisa 10, Helinho segue passos do seu pai, Helio Rubens Garcia, no comando técnico do SESI/Franca Basquete. Com a equipe paulista, ganhou o tricampeonato paulista (2018-2019-2020), Liga Sul-Americana (2018) e Copa Super 8 (2020). Ainda foi vice-campeão do NBB (Novo Basquete Brasil 2018-2019).

Helinho decidiu juntamente com a direção do SESI/Franca Basquete para esta temporada em promover uma mescla entre experiência e juventude. Guilherme Hubner, Elinho, André Góes, Danilo Fuzaro e Lucas Dias formam a lista de experientes do time, que conta com as promessas Gui Abreu, Nathan, Edu Marília e Márcio.

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Mesmo com esses nomes, a equipe tem enfrentado altos e baixos na temporada. Na Copa Super 8, os paulistas caíram diante do Flamengo. Atualmente é o sétimo colocado do NBB, garantindo uma vaga nos playoffs. Para o treinador o trabalho é bom e visa o futuro do clube.

“O que temos feito bastante é fomentar o basquete principalmente dentro da unidade de planejamento do SESI/Franca Basquete. Desde a categoria sub-14 e sub-15 nós temos um intercâmbio entre treinadores para que dentro dessa unidade possamos ter o maior número de jogadores revelados não só aqui para Franca, mas para seleção brasileira de base e adulta”, afirmou.

Numa entrevista exclusiva para o Yahoo Esportes, Helinho Garcia recordou sobre o seu início de carreira como atleta, contou sobre a presença de estrangeiros no basquete brasileiro, plano de carreira e novo plantel da Seleção Brasileira.

O seu pai compartilha no livro “Helio Rubens, a trajetória de um vencedor no jogo na vida”, a dúvida durante juventude entre a carreira de jogador de futebol ou basquete. Você também passou por essa incerteza ou desde pequeno sempre quis trilhar o caminho no basquete?

Eu tive essa mesma dúvida, sim. Hoje eu vejo que o meu pai e minha mãe foram importantes, porque eu tive o livre arbítrio. Sempre fui cobrado nos estudos, mas também sempre fui pelo lado dos esportes. Joguei tênis, futebol, nadei representando Franca (SP), mas com 15 anos tomei a decisão de ser jogador de basquete.

Acreditamos que você deve ter ouvido quando criança ou adolescente, que jogava nas categorias de base do Franca Basquete pelo fato de ser filho do Helio Rubens. Essas opiniões afetaram o seu desempenho ou a crença no potencial ajudou a superar isso?

Ouvi algumas pessoas falando que jogava porque meu pai era técnico. Quando tinha dois erros já perguntavam: “Não vai sair porque o Hélio é técnico?”. Graças a Deus eu soube superar isso. Não foi fácil e tive que ter uma força mental grande. Soube superar através do trabalho. Fui ocupando o meu espaço de forma consistente e graças a Deus ganhei a credibilidade necessária como atleta para seguir uma carreira, que tenho muito orgulho.

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Até hoje, você tenta se desvincular da imagem do seu pai? Ou com o tempo passou a aceitar?

Com o tempo fui desvinculando, graças a Deus ganhando a minha imagem como jogador e agora assumi uma posição de técnico. É normal, no começo, ter algumas comparações. Já estou no meu quinto ano [como treinador] e isso foi deixado mais de lado. Tenho muita honra de ter aprendido os conceitos que o meu pai trouxe na vida e carreira dele. Com certeza vou procurar seguir esse legado para mim. Tenho muito orgulho de ter o mesmo nome dele.

Vários jogadores aderiram ao movimento #ValorizeoBrasileiro nas redes sociais. Você concorda com essa manifestação ou crê que a quantidade de estrangeiros permitida por equipe no NBB é a ideal?

A liberação de quatro estrangeiros por equipes é grande. Também vejo como necessidade porque não tem trabalho de massificação [do esporte no Brasil]. É fundamental ter massificação e que nós tenhamos obrigatoriedade das equipes disputarem a LDB (Liga de Desenvolvimento de Basquete) ou um campeonato sub-19. Mais do que isso, o importante seria política esportiva de Estado como os Estados Unidos tem. Que a gente através do esporte possa estar fomentando os estudos, atletas com bolsa na universidade para naturalmente estar formando maior número de jogadores e precisando menos de estrangeiros.

Alguns técnicos de futebol colocaram objeções enquanto o português Jorge Jesus esteve em nosso país a serviço do Flamengo. Como você avalia o desempenho do croata Petrovic na Seleção?

Com a globalização não vejo problema ter um técnico eventualmente estrangeiro ou brasileiro [no comando da Seleção]. Acredito que hoje tenha técnicos brasileiros com bastante qualidade para assumir a Seleção. O mais importante, independente de quem for o técnico, é deixar um legado. Visitar equipes, trocar ideia com outros jogadores, participar e fazer clínicas para ganhar esse entretenimento com outros treinadores. Independente se for brasileiro ou estrangeiro, acredito que tenha um trabalho árduo para ser feito na Seleção Brasileira.

O basquete brasileiro passa por uma renovação, como tem visto este processo? Podemos sonhar com uma Seleção que conquiste bons resultados internacionais?

Tinha muito preocupação em relação a transição que vai ser feita dessa geração que conta com Leandrinho, Tiago Splitter, Anderson Varejão, Guilherme Giovannoni e Alex. Essa geração poderia ter terminado com uma medalha olímpica e por detalhes não disputou a Olimpíada do Rio de Janeiro, em 2016. Acredito muito no potencial dessa nova geração, são jogadores de talento, atléticos e que ganhem cada vez mais rápido a cancha necessária para jogos internacionais. Mais do que isso, acredito que vai ter que ter um trabalho fortíssimo da CBB (Confederação Brasileira de Basketball) de intercâmbio com grandes equipes da Europa, Estados Unidos ou Canadá para que essa garotada possa atingir este alto nível o mais rápido possível.

Mesmo com história sexagenária e recheada de momentos gloriosos, Franca sonha com título do NBB. Em quanto tempo você projeta este título?

Todos sonham com título brasileiro, Franca já tem 11 títulos e tudo é questão de processo. Hoje somos tricampeões paulistas depois de ter ficado 11 anos sem ganhar título e fomos campeões sul-americanos depois de 27 anos sem ganhar. O trabalho é incansável e sempre em busca sempre do melhor. Aí acho que vem de uma forma natural. Mais do que isso, é um processo para que Franca volte a ganhar um Campeonato Brasileiro em breve.

Franca é reconhecida como Capital do Basquete. Como vê o desenvolvimento do esporte na cidade e no Brasil?

Franca é considerada como capital do basquete pelo número de jogadores e técnico formados, quantidade de títulos e por ter mais de 60 anos ininterruptos [de funcionamento de um clube]. O que temos feito bastante é fomentar o basquete principalmente dentro da unidade de planejamento do SESI/Franca Basquete. Desde a categoria sub-14 e sub-15 nós temos um intercâmbio entre treinadores para que dentro dessa unidade possamos ter o maior número de jogadores revelados não só aqui para Franca, mas para Seleção Brasileira de base e adulta. A partir disso, continuar essa tradição fantástica que Franca tem de revelação e conquistar títulos. Fico muito feliz de nos últimos anos a gente ter vencido de maneira consistente.

Sobre os seus planos de carreira? Almeja a Seleção ou mercado estrangeiro?

Eu sou um cara que gosta de pensar grande, estudo bastante e procuro o crescimento a cada dia. Almejo um dia chegar à Seleção Brasileira, que seria um sonho. E, sim, um time no exterior, que seria muito bacana. Mas, hoje estou empenhado nesse trabalho que é feito na cidade de Franca e que a gente possa através disso ganhar a credibilidade necessária para estar assumindo a seleção ou uma grande equipe no exterior.