HBO vai falar de comunidade LGBT+ e pessoas não binárias em nova série brasileira

A diretora Vera Egito, à direita, e parte da equipe da série 'Todxs'. (Imagem: reprodução Instagram @veraegito)

Enquanto o presidente Jair Bolsonaro fala em criar um “filtro” para evitar que determinados temas sejam abordados na produção audiovisual brasileira apoiados pela Ancine, a HBO vai na contramão.

Já conhece o Instagram do Yahoo Vida e Estilo? Segue a gente!

Além de estrear, já neste próximo domingo, a série ‘Pico da Neblina’, que imagina um futuro onde a maconha foi legalizada no país, o canal prepara ‘Todxs’, atração que trata de um assunto aparentemente ainda mais incômodo aos conservadores: a diversidade sexual.

Leia também:

Ambientada em São Paulo, a série será protagonizada pela atriz Clara Gallo no papel de Rafa, jovem de 18 anos, pansexual e de gênero não-binário (ou seja, não identificada exclusivamente com os padrões masculinos ou femininos), que decide deixar a vida e a família no interior e mudar-se para a capital. A produção é feita apenas com recursos da HBO, de acordo com a assessoria de imprensa do canal.

Vera Egito, a diretora geral de ‘Todxs’, conversou com o Yahoo! por e-mail sobre a série, que ainda não tem data de estreia.

Yahoo - Como a série irá tratar a diversidade sexual?

Vera Egito - Nosso trio protagonista é composto por uma personagem pessoa não binária, pan sexual, uma mulher cis, heterossexual e um homem cis, homossexual. O trio vive situações amorosas diversas durante a temporada e suas questões são amplas sobre relacionamento, sexo, gênero e afeto.

Qual a importância de ter assuntos e personagens não-binários e de gênero fluido numa série de TV hoje em dia?

A não binariedade ainda é pouco debatida dentro do contexto trans e no geral. As pessoas não binárias inspiram uma reflexão profunda sobre as performances de gênero. O que é ser um homem? Ou uma mulher? Porque esse binarismo nos define tanto? Acho que ao retratar uma personagem não binária, colocamos todas essas questões ao espectador de maneira fluida, dentro da narrativa. Uma das atuantes pessoa não binária, que vive a personagem Juno na série, me disse o quão importante é trazer o uso do pronome neutro em uma ficção. A maior parte das pessoas ainda não questionou a linguagem binária dos pronomes ou femininos ou masculinos. Se gerarmos esse debate, por exemplo, já será muito importante.

Pode contar mais sobre a trama da série?

Rafa, jovem não binárie, chega a São Paulo - sem aviso - para morar com seu primo Vine e sua roommate Maia. A partir daí, as questões emocionais e profissionais do trio se desenvolvem em um tom de comédia dramática. A amizade dos três se aprofunda ao enfrentarem situações de racismo e transfobia. A primeira temporada mostra uma grande transformação dos três e do entendimento que cada um tem do outro e de suas condições.

Como foi o processo de criação dessas histórias?

Eu tinha na cabeça a ideia desse trio morando em São Paulo e vivendo as questões que a cidade impõe de maneira divertida mas também profunda. Apresentei a ideia a HBO, que deu um sinal positivo e se interessou pelo tema e pelo projeto. A partir daí, chamei o cineasta Daniel Ribeiro, meu amigo desde a faculdade, para desenvolver a primeira versão do projeto comigo. O processo criativo foi todo muito bem sucedido. A HBO desejava um projeto jovem com temática urbana e ‘Todxs’ atendeu exatamente a essa expectativa. Montamos uma sala de roteirista com a diversidade e o comprometimento que a série exigia e fomos muito felizes no desenvolvimento dessa primeira temporada.

Houve uma preocupação em trazer diversidade também na equipe, na frente e atrás das câmeras?

Como disse, nossa sala de roteiro tinha a diversidade de raça, gênero e orientação sexual que se vê na série. Essa sala de roteiro foi essencial para que o texto trouxesse de maneira honesta e verosímil as questões que queríamos abordar. Há também uma presença feminina muito forte em todas as equipes de filmagem que eu monto e nesse projeto não foi diferente.