Aos 58, musa da Vila Isabel não curte exageros: "Acho a harmonização facial uma demonização"

Por Aline Nobre (@linesnobre) e Lucas Pasin (@lucaspasin)

Aos 58 anos, Paula Bergamin é a prova real de que idade não é tabu. A gaúcha desfilará pelo segundo ano consecutivo como musa da Vila Isabel, espaço nobre, em sua maioria ocupado por mulheres na casa dos 20 aos 30 anos. E Paula leva muito a sério o seu posto.

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“O samba no pé não tem idade. Carnaval é coisa séria. Quer só brincar? Vai curtir em um bloco. Ser musa é ter todo um comprometimento e dedicação. Não é só você comprar uma fantasia e aparecer no dia. Você tem que frequentar os ensaios, interagir com a sua escola, conhecer a comunidade para que essa troca seja realmente verdadeira e para que no dia que você desfilar, tenha todo um clima de segurança, harmonia e tudo saia da melhor maneira possível e natural. Você não pode fazer feio. 

Paula desfilou pela primeira vez aos 52 anos (Foto: Alessandra Tolc/ Yahoo Brasil)

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Para a paisagista, a maior cobrança vem de si mesma. “Por ser uma mulher madura, tenho um grande olhar crítico sobre mim, porque, aliás, o que estou fazendo ali quando todas as outras são jovens? Sinto essa pressão maior ainda, então quero fazer bem feito, quero estar ali por mérito. Escola de samba é mais ou menos como um time de futebol . Para ganhar todos têm que colaborar e dar o seu máximo. Tento estar presente na escola o máximo que posso.” 

A musa se sente ainda mais honrada por representar outras mulheres.

Paula Bergamin é apaixonada pelo Carnaval (Foto: Alessandra Tolc/ Yahoo Brasil)

“Quero transmitir algo positivo para as mulheres, para que elas sempre corram atrás de seus sonhos. Acho muito legal para as mulheres mais maduras verem alguém que está bem. Não gosto da busca incessante pela perfeição, acho que saúde significa você estar no seu peso ideal, cuidar da sua pele, ter cuidados com a sua aparência e também extravasar um pouco", diz.

Comecei a sambar com 52 anos, você também pode aprender a jogar tênis, bordado, culinária, algo que te dê prazer em qualquer idade. Se amem, se gostem, aceitem que você tem pequenas imperfeições. Não gosto da ditadura da perfeição, ser perfeito é muito chato

E falando sobre saúde física, Paula revela um pouco sobre sua preparação para o desfile. “Faço exercício o ano todo, aulas de dança e musculação. A partir de outubro ou novembro, passo a treinar todos os dias, meu personal dá uma apertadinha na carga, mas não é nada demais. Além da dança, que faço o ano todo, e que faz mais diferença na avenida, vai me dando mais segurança.” 

Paula não é viciada em dietas e nem acredita que a felicidade está relacionada com o corpo perfeito.

Paula Bergamin é mãe de três e avó de quatro (Foto: Alessandra Tolc/ Yahoo Brasil)

“Sambar é felicidade. Sim, é importante buscar felicidade e melhorar como pessoa, cuidar do corpo, da aparência, mas sem paranoia. Essa tal de harmonização facial, por exemplo, acho uma demonização facial. As pessoas estão todas querendo ser parecidas, mas a gente tem diferenças e essas diferenças são legais. Tenho vaidade, sou vaidosa, lógico, nenhuma musa que gosta de se exibir não tem vaidade, mas tem um ponto que é bom senso e normalidade, e um ponto que pira. Sempre tento me manter com o pé no chão. ” 

Quando tudo começou

Paula Bergamin é musa da Vila Isabel e leva o Carnaval bem a sério (Foto: Alessandra Tolc/ Yahoo Brasil)

A gaúcha desfilou pela primeira vez aos 52 anos de idade e entrou no Carnaval carioca pelo Império Serrano, seguido da Império da Tijuca, em 2014. “Achei que ia ser só essa vez, que ia realizar o sonho e deu, mas fiquei apaixonada, viciei e não consegui largar mais.”  Paula é casada, mãe de três filhos – duas mulheres e um homem — e avó de quatro netos e conta que no início houve certo estranhamento por parte das filhas quando disse que iria desfilar.

“Meu marido me apoiou muito, pois ele sabia desse meu amor platônico pelo Carnaval e por desfilar, mas teve uma resistência dos meus filhos, na realidade das minhas filhas, ficaram espantadas, principalmente a Antônia. Elas foram criadas em colégio católico, com uma certa formalidade, mas no meu primeiro desfile todos foram na Sapucaí e no final do desfile, essa minha filha que tinha mais resistência foi me abraçar chorando e me falou: ‘Mãe, nunca pensei que você fosse capaz de tudo isso’. Foi muito emocionante e hoje eles estão acostumados, até porque não tem volta mesmo. (risos).” 

Paula Bergamin não curte exageros no corpo (Foto: Alessandra Tolc/ Yahoo Brasil)